Relações com Investidores

Os private bankers têm a missão de ajudar na mudança cultural do mercado

11/09/2014

Segundo a presidente da ANBIMA, Denise Pavarina, os private bankers são parceiros dos investidores e podem colaborar na tomada de risco consciente com base no perfil do cliente. "Eles têm a missão de ajudar na mudança cultural do mercado", afirmou na abertura do 5º Seminário ANBIMA de Private Banking, realizado no último dia 4, em São Paulo, que reuniu mais de 400 pessoas.

Ela citou os desafios do segmento como, por exemplo, o aumento da competitividade entre os players e a otimização de custos, mas afirmou que não só o private precisa de uma agenda efetiva; é necessário esforço de todo o mercado para contribuir para esta transformação cultural. Entre as iniciativas destacadas para reverter este cenário estão o aumento no acesso das empresas ao mercado de capitais e a expansão do número de investidores.

Leonardo Pereira, presidente da CVM, que também participou da abertura do evento, falou sobre a reforma da Instrução nº 409, que regula a indústria de fundos de investimento, e os pontos que devem beneficiar o segmento de private. A qualificação dos profissionais foi ressaltada por João Albino Winkelmann, presidente do Comitê de Private Banking. O segmento já superou a meta de 40% para o ano de 2014 alcançando atualmente 43% de seus profissionais com a certificação CFP (Certified Financial Planner), que estabelece padrão internacional de conduta ética e responsabilidade que deve ser seguido no planejamento financeiro pessoal.

Os números da indústria e as perspectivas foram o tema do primeiro painel. André Xavier, da Boston Consulting Group, apresentou estudo envolvendo mais de 143 instituições, sendo 10 brasileiras. Os dados mostraram crescimento da riqueza global de 14,6% em 2013. No Brasil, os ativos sob gestão passaram de 24% em 2012 para 9% em 2013. Rogério Pessoa, coordenador do Subcomitê de Base de Dados da ANBIMA, ressaltou pontos como a crescente evolução da previdência no portfólio dos investidores, a migração para produtos de menor risco e o aumento de profissionais qualificados no atendimento do segmento. Para Marcelo Carvalho, presidente do Comitê de Acompanhamento Macroeconômico, é importante reforçar a cultura de longo prazo e trabalhar com cenário de maior diversificação e sofisticação.

No segundo painel, o universo de finanças comportamentais foi detalhado. Aquiles Mosca, do presidente Comitê de Educação de Investidores, falou sobre a dificuldade do ser humano em pensar no futuro e, consequentemente, acabar consumindo mais do que poupa. "A região do cérebro que trata do amanhã é a mesma que lida com a interação com estranhos", disse. Armando Rocha, diretor científico da Eina, explicou os diferentes circuitos neurais envolvidos na tomada de decisão, aprendizado, compreensão e solução de tarefas cognitivas, tais como, oportunidades de investimento, escolha e compra de ativos. Segundo ele, mesmo submetidos às mesmas situações, homens e mulheres se comportam de maneiras diferentes. De acordo com a psicanalista Vera Rita de Mello Ferreira, um dos fatores que caracteriza a relação das pessoas com poupar dinheiro é a dificuldade de avaliar e lidar com situações complexas. "Sempre queremos simplificar e nos poupar. Fazia sentido para nossos ancestrais, que viviam menos e em situações adversas de sobrevivência. Mas hoje podemos compreender melhor nossas escolhas", disse. Martin Iglesias, vice-presidente do Comitê de Educação de Investidores, e Paulo Seches, sociólogo da Officina Sophia, também integraram o painel.

Na sequência, o debate teve como tema os desafios na gestão de carteiras globais. A diretora da ANBIMA, Luciane Ribeiro, afirmou que a diversificação com alocação de recursos no exterior é saudável. Os debatedores foram unânimes em afirmar que é possível investir em outros países por meio de gestão local. Visando maior eficiência, as instituições têm focado em capacidade técnica e inteligência local sobre os mercados externos Por fim, o painel abordou discussões referentes às alterações propostas pela Instrução nº 409 da CVM, com destaque para a regulação dos fundos com investimentos no exterior. O jornalista William Waack moderou o painel, que também contou com a participação de Artur Wichmann, do Credit Suissse Hedging-Griffo, Gustavo Murgel, vice-presidente da ANBIMA e Joaquim Levy, do Banco Bradesco.

O cenário eleitoral foi tema do último painel do seminário, também moderado por Waack. Os debatedores Marcos Nobre, professor de filosofia política na Unicamp, Rafael Cortez, doutor em Ciência Política pela USP, e Murillo de Aragão, cientista político, discutiram sobre os cenários socioeconômicos após o período de eleições.

Fonte: Anbima