Relações com Investidores

Aporte em participações sobe e alcança R$ 13 bilhões no ano

04/09/2014

Cenário de longo prazo ainda é positivo para o Brasil e atrairá capital para companhias dos setores de consumo, energia, infraestrutura, TI e telecom

A captação líquida em fundos de investimentos em participações (FIPs) cresceu 58% nos oito primeiros meses de 2014 para o montante de R$ 13,026 bilhões, frente a R$ 8,22 bilhões obtidos em igual período de 2013. Na avaliação de profissionais de mercado, esse crescimento mostra que os investidores estão confiantes em projetos e empresas no Brasil no horizonte de longo prazo.

"Qualquer cenário que se possa traçar hoje vai passar pela definição do quadro das eleições e pela questão regulatória. Mas a perspectiva de investimentos para o longo prazo é positiva. O setor de consumo permanece com a tendência de crescimento", afirma a sócia da MBS Value Partners, Fabiane Goldstein.

Para o sócio da Advisia OC &C que presta consultoria para 20 fundos de private equity (carteiras voltadas para a aquisição de fatias societárias), Rodrigo Leite, a economia brasileira no horizonte entre 5 e 10 anos oferece muitas oportunidades aos investidores. "Na área de varejo e de bens de consumo, a dificuldade só está em convencer os empresários de que o valuation [avaliação de preço de uma companhia] já não está tão elevado. Isso dificulta a conclusão dos negócios", diz.

Leite considerou que no curto prazo, a recuperação dos negócios depende da confiança dos empresários. "Tenho clientes cogitando adiar planos de investimentos. Não tem como defender captações atualmente na frente dos Conselhos, estamos no mais baixo índice de confiança dos últimos 15 anos", afirmou.

Mas no horizonte de longo prazo, o executivo vê oportunidades em diversos setores. "A confiança no longo prazo segue firme. As oportunidades estão um pouco mais raras no setor industrial. Mas há boa perspectiva no segmento de facilities, serviços ligados ao setor de energia, telecomunicações, e na infraestrutura há centenas de bilhões de dólares em potencial" apontou Leite.

Ao mesmo tempo, ele indicou que os investimentos em óleo e gás passam por uma crise conjuntural. "A tese promissora do pré-sal ainda está em validade. Fora da cadeia da Petrobras, o pessoal está muito animado", diz.

Já Fabiane Goldstein aponta que os fundos de private equity vão continuar investindo em e-commerce e atividades relacionadas ao consumo. "Dados os últimos movimentos dos fundos de private equity em nível global no Brasil há muitos investimentos no setor de alimentos, farmácias, turismo e até brinquedos", disse.

Sobre a intenção de investimento em fundos de participações (FIPs), Fabiane reafirmou o potencial "gigante" em infraestrutura. "A infraestrutura no Brasil demanda bilhões em investimentos. Algumas empresas tendem à abertura de capital [na Bolsa]. Mas isso está ligado ao ambiente de regulação, observamos a presença do Estado [governo] e a mudança de regras do jogo no setor de energia", lembrou.

Números da Anbima

De acordo com o relatório consolidado diário de fundos, divulgado ontem pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a captação líquida de todas as categorias de fundos de investimentos alcançou R$ 23,6 bilhões até 29 de agosto, último dia útil do mês anterior. Desse montante, 55% ou R$ 13,026 bilhões foram aportados em FIPs.

Dados anteriores da Anbima até julho mostravam que os principais investidores de FIPs são investidores qualificados como clientes corporate (empresas), seguido pelo segmento private (milionários), estrangeiros, fundos de investimentos e fundos de pensão, as entidades fechadas de previdência complementar.

Segundo dados públicos da CVM, um FIP da incorporadora BKO captou R$ 200 milhões em agosto, com a administração do BTG Pactual. Antes, em abril último, o FIP da P2 Brasil Infraestrutura captou R$ 514,6 bilhões. A P2 investe nas empresas Nova Agri, Hidrovias do Brasil, Oceana, Latin America Power, Nova Opersan Soluções Ambientais e Highline.

Autor: Ernani Fagundes
Fonte: DCI