Relações com Investidores

Braxenergy vende ativos para fundo de participações inglês

22/08/2014

Valor da transação não foi divulgado pela brasileira, que passa a se dedicar à transmissão e prestação de serviços

A Braxenergy concluiu nesta semana a venda de todos os seus ativos de geração de energia elétrica a um fundo de participações inglês. Os 5 gigawatts (GW) em pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), biomassa, biogás, eólicas e solar passarão a ser administrados por holding controlada pelo fundo Mount Baker, com 85% de participação. A Braxenergy manterá parcela minoritária de 15%. O valor da transação não foi divulgado pela empresa brasileira, que passa a se dedicar agora à transmissão e prestação de serviços.

"Esse negócio é para gente grande. Ao invés de o País incentivar o empreendedorismo, penaliza com riscos cada vez maiores. Então tivemos que dividir o risco, preservando o interesse maior, que é conservar essas fontes renováveis", disse o diretor executivo da Braxenergy, Helcio Camarinha, com exclusividade ao DCI.

Segundo o executivo, o fundo Mount Baker é composto pelos fundos Read Brice, Brice Capital e Red Bird, todos com projetos na área de sustentabilidade em seus portfólios. A aquisição dos direitos das concessões de geração da Braxenergy, que ainda deverá passar pela aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), marca a entrada dos investidores estrangeiros no Brasil.

Os ativos serão auditados, para só então ser fechado o valor do negócio, segundo Camarinha. "O aporte de capital da Braxenergy será feito por ativo imobilizado, a contrapartida em capital deles ainda não está definida, pois será proporcional à fatia de 15% que ainda está sendo auditada", diz.
Uma equipe comum entre os sócios será criada para a transmissão dos conhecimentos regulatórios e técnicos do setor elétrico brasileiro. A Braxenergy, porém, deve deixar em outubro a operação dos ativos, que provavelmente será terceirizada.

Com isso, chega ao fim a experiência da companhia na geração. Antes, usinas na África do Sul, Moçambique e Zâmbia foram vendidas a US$ 1. "Perdemos dinheiro lá, vendemos por US$ 1 para ficarmos livres da necessidade de capital futuro", lamenta.
Camarinha admite que ter anunciado em março - conforme reportado pelo DCI - a venda de todos os empreendimentos restantes depreciou o valor dos ativos. "Mas não havia tempo, não era possível esperar", diz. À época, o executivo afirmou que a empresa não possuía capacidade financeira de continuar com as usinas.

Novo foco

Enquanto articulava a saída do segmento de geração, o empresário não ficou de braços cruzados e deu início à nova estratégia da companhia, que volta todos os seus esforços à transmissão. Desde 2013, a Braxenergy já arrematou seis lotes em leilões, com receita anual permitida (RAP) de cerca de R$ 80 milhões. A expectativa é construir a partir de 2015 a estrutura para chegar aos R$ 250 milhões em RAP em cinco anos.

Quanto aos projetos em execução, Camarinha relata que a linha do Rio Grande do Sul deve ser entregue no prazo. Uma linha no Rio Grande do Norte poderá ter a entrega antecipada em quatro meses, outra no Pará e duas no Ceará podem ser antecipadas em até um ano. A mais recente, no Maranhão, ainda aguarda a aprovação do projeto básico pela Aneel.

Apesar do bom andamento das obras de transmissão, o CEO da Braxenergy avalia que 2014 é um ano a ser esquecido. "Nosso prejuízo no ano deve passar de R$ 20 milhões, tivemos dificuldade para cumprir contratos pois teve usina que secou e teve cliente que entrou em recuperação judicial e não pagou", relata o diretor.

O resultado negativo reverte lucro de R$ 30 milhões em 2013. No ano passado, a empresa passou de um patrimônio líquido de R$ 86 milhões a cerca de R$ 130 milhões. O endividamento é baixo, com uma relação de 30 vezes caixa sobre dívida, explicado pela geração de receita com a prestação de serviços. "A área representa 80% da receita e o lucro gerado é investido nos ativos", explica Camarinha, que acompanha atento o cenário eleitoral, na expectativa de um 2015 melhor para o setor.

Autor: Thais Carrança

Fonte: DCI