Bolsa

Bovespa listará mais 20 papéis estrangeiros

17/11/2015

Segmento de derivativos da BM&F evoluiu 34,2% no último trimestre impulsionado por contratos de câmbio e de negócios com taxa de juros em dólar, na comparação com igual período de 2014

A BM&FBovespa pretende listar mais 20 recibos de ações estrangeiras no mercado brasileiro (BDRs) até o final de 2015. A Bolsa de Valores já havia lançado 18 BDRs no ano até setembro último formando uma família de 78 papéis disponíveis aos seus clientes.
Segundo o diretor executivo de produtos da BM&FBovespa, Eduardo Guardia, o volume negociado em BDRs ainda é pequeno (baixa liquidez), mas segue crescente. "Começamos a ver o BDR ganhando tração. Para 2016 também vamos continuar trabalhando com gestores [de fundos de investimentos] para lançar mais BDRs", disse.
O executivo acrescentou que a quase totalidade das BDRs listadas são de empresas americanas, mas que a Bolsa de Valores trabalha para atrair papéis europeus e latino-americanos. "Nós já temos a BDR da Femsa [mexicana] aqui, mas esse é um desafio", diz Guardia.
Na prática, o lançamento de BDRs de outros centros internacionais depende do interesse dos gestores de fundos de investimentos em disponibilizar cotas para clientes do varejo alta renda, pois a compra direta de BDRs é restrita apenas a investidores profissionais ou qualificados, com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras.
No atual quarto trimestre, a Bolsa de Valores também entregou um novo produto financeiro, o Certificado de Operações Estruturadas (COE) com entrega física. "Vamos acompanhar a evolução desse produto daqui para frente, e a gente acha que tem um potencial interessante", apontou.
No desenvolvimento da liquidez (negociação), ele explicou que a instituição está buscando formadores de mercado (intermediários que compram e vendem papéis aos clientes) para "todos" os futuros de commodities até o próximo dia 1 de dezembro. "Há um potencial em agrícolas e temos ideias que breve vão se tornar um conjunto de medidas de incentivo", afirmou.
Até o final do ano, Guardia também promete um programa de formador de mercado para o derivativo financeiro chamado Cupom de IPCA, que fornece hedge (proteção) para a variação da inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo. "Todos esses produtos de inflação são uma aposta nossa", destacou.
E ainda na programação de 2015, o segmento BM&F pretende fazer a rolagem de minicontratos de dólar, de Ibovespa e de etanol. "Se olharmos o contrato [cheio] de dólar, mais ou menos 10% está na rolagem, então é importante ter a rolagem para minicontratos, que tem tido uma boa performance no período recente".
Percentual dolarizado
No balanço detalhado à imprensa na última sexta-feira, o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, considerou como "bons" o resultado da companhia no terceiro trimestre. "O segmento de derivativos foi o diferencial nesses nove meses de 2015. Isso afirma nosso otimismo e confiança no País. O Brasil tem todas as condições de iniciar um novo ciclo de recuperação e de crescimento da economia", disse.
As receitas com contratos de câmbio cresceram para R$ 112 milhões e representaram 17% das receitas de R$ 662,9 milhões no terceiro trimestre de 2015, ante o percentual de 13,5% em igual período do ano anterior, quando eram R$ 80,3 milhões dentro de receitas totais de R$ 594,7 milhões.
A participação de contratos de taxas de juros em dólar também cresceu do percentual 2,9% no terceiro trimestre de 2014 (R$ 17 milhões) para a fatia de 5,8% no terceiro trimestre de 2015 (R$ 38 milhões). "26% de nossa receita veio de produtos referenciados em dólar", afirmou o diretor executivo financeiro, Daniel Sonder.
Com essa contribuição da receita com derivativos, o lucro líquido excluído a venda de 1% das ações da CME Group ficou em R$ 393,3 milhões, alta de 65% em igual comparação.

Fonte: DCI