Bolsa

Fundos indexados a índices de ações negociados na Bovespa avançam 16%

12/11/2015

Segmento de ETFs cresceu para R$ 29 bilhões no período de janeiro a outubro de 2015 ante igual período do ano passado. E número de investidores retomou crescimento nos últimos três meses

O volume financeiro em Exchange Traded Funds (ETFs, fundos negociados em Bolsa de Valores) no Brasil avançou 16,17% no ano até o final de outubro para R$ 29,126 bilhões, na comparação com os R$ 25,07 bilhões negociados em igual período de 2014.
Na avaliação de representantes do mercado, essa evolução se deve a busca de diversificação num cenário macroeconômico adverso e de volatilidade como o atual.
"A principal vantagem do ETF é a diversificação a custo bem menor que o praticado por fundos de ações passivos ofertados por bancos de varejo", diz o presidente da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord), Caio Villares.
De fato, as taxas de administração cobradas em ETFs negociados na bolsa brasileira ficam entre a mínima de 0,059% ao ano e a máxima de 0,69% ao ano, enquanto fundos de investimentos em ações estão com taxa média de administração de 1,80% ao ano, e no varejo, para aportes de entrada inferiores a R$ 1 mil, 2,20% ao ano.
"O ticket de entrada num ETF é bem mais baixo, com R$ 450 se consegue um lote do BOVA que reflete todo o Ibovespa. É vantajoso para o investidor pessoa física que não tem condições de montar uma carteira com diferentes papéis", diz o diretor do Easynvest, Amerson Magalhães.
Segundo o boletim mensal da BM&FBovespa sobre ETFs, o aumento do volume financeiro foi puxado pelos produtos diversificados como o BOVA (Ibovespa), PIBB (Ibrx-50), XBOV (Ibovespa), IVVB (S&P 500) e BRAX (Ibrx-100).
O Bova apresentou crescimento de 14% em volume para R$ 26,55 bilhões em dez meses, e aumento de 28,35% no número de negócios. Em segundo lugar em volume, o ETF PIBB teve giro de 961,782 milhões no mesmo período, uma evolução de 2,27% na comparação com o ano passado.
O ETF XBOV, que é gerido pela Caixa Econômica Federal apareceu na terceira posição em volume, com R$ 585,392 milhões, ante R$ 88,69 milhões em igual período de 2014.
Mas o destaque de 2015 ficou para o ETF IVVB que acompanha o índice de ações americano S&P 500, cuja rentabilidade alcançou 63,8% nos últimos doze meses, beneficiado principalmente pela desvalorização do real em relação ao dólar. O produto restrito a investidores qualificados movimentou R$ 460,12 milhões até o final de outubro, frente o volume R$ 200 milhões no mesmo período do ano passado.
Na visão do presidente da Ancord, Caio Villares, o mercado de ETFs poderia ser maior no Brasil e ainda possui um grande potencial. "O principal desafio é a educação do investidor, a maioria nem sabe o que é ETF e desconhece o produto e suas vantagens em termos de custos", afirma.
Villares calculou que um investidor de longo prazo como uma fundação de previdência complementar pode economizar 50% num horizonte de 20 anos. "Isso produz um ótimo retorno para fundos de pensão, o custo de um ETF fica entre 10% a 15% do custo de um fundo tradicional de ações. E somente 20% dos gestores de fundos ativos de ações conseguem superar os ganhos dos índices", comparou o representante das corretoras.
Sobre o potencial do mercado, Villares comentou que o segmento de ETFs avança em todo o mundo. "Nos Estados Unidos representa mais de 30% do volume negociado em Bolsa de Valores, e responde por cerca de 10% do patrimônio da indústria de fundos nos Estados Unidos", comparou.
No Brasil, o patrimônio líquido em ETFs alcançou o montante de R$ 3,384 bilhões ao final de outubro de 2015, um crescimento de 8,5% na comparação com dezembro, ou 0,11% do patrimônio total da indústria de fundos local.
Futuros ETFs no Brasil
Ontem, a BM&FBovespa e a S&P Dow Jones Índices realizaram o 1º Encontro Anual sobre Índices e ETFs no Brasil e o evento reuniu os principais gestores que atuam no segmento como BB DTVM, Black Rock, Bradesco Asset Management, BTG Pactual Asset Management, Itaú Asset Management e XP Gestão de Recursos.
A expectativa é que o segmento venha a lançar novos produtos aos investidores como o esperado ETF de renda fixa e também futuros ETFs da família de índices Smart Beta da S&P Dow Jones Índices.
"O ETF de renda fixa esbarrou na questão da tributação. Fundos de renda fixa comuns possuem o come-cotas [cobrança semestral de imposto de renda] e uma tabela de imposto de renda sobre ganhos de capital cuja alíquota só cai 15% após 2 anos. Há uma disputa nessa questão e gente defendendo os fundos. Não vejo mais esse ETF de renda fixa como tão atraente desde que o Tesouro Direto ganhou liquidez diária", opinou Villares.
Mas por outro ângulo, ele aponta que os ETFs de índices de ações estrangeiras são mais promissores. "As BDRs [recibos de ações estrangeiras negociadas no Brasil] estão com uma liquidez muito baixa. O ETF possibilita uma maior diversificação", diz. Nos ETFs de ações, a cobrança do IR é no resgate, e a alíquota é de 15%.

Fonte: DCI