Bolsa

Participação de estrangeiro avança e atinge 55% do volume diário na Bolsa

10/11/2015

Mercado acionário brasileiro registra entrada de quase R$ 20 bilhões de investidores internacionais em dez meses de 2015, sendo R$ 2,5 bi em outubro, ficando na ponta do Ibovespa

A BM&FBovespa depende cada vez mais de investidores internacionais para girar os negócios com ações. A participação dos clientes estrangeiros no volume financeiro cresceu de 52,32% em setembro para 55,13% em outubro.
No aspecto positivo, os estrangeiros entraram com recursos de R$ 2,54 bilhões no Brasil em outubro. No acumulado de dez meses de 2015, esse ingresso já soma o montante de R$ 19,785 bilhões, de acordo com o balanço mensal de operações da BM&FBovespa, publicado na última sexta-feira.
"Com o estrangeiro na ponta compradora, o investidor institucional local e a pessoa física [clientes brasileiros do varejo] acaba vendendo e saindo da Bolsa de Valores", contrapõe Linican Monteiro, executivo da equipe de análise da Um Investimentos sobre o comportamento do investidor local.
Monteiro tem razão. A participação do investidor institucional local no mercado de ações caiu de 28,58% em setembro para 26% em outubro, e a atuação da pessoa física ficou restrita a 12,85% do volume. As empresas nacionais também tiraram o pé da Bolsa, saindo da posição anterior de 1,38% em setembro para apenas 0,95% em outubro.
E em pequena escala, as instituições financeiras (bancos e corretoras) aumentaram a participação no volume, de 4,87% em setembro para 5,06% no último mês de outubro.
"O valor das ações recuou muito nos últimos anos. A queda no volume financeiro não necessariamente significa uma redução no número de negócios, que vem se mantendo relativamente estável. Há mais negócios com volumes menores", explica o sócio-fundador e diretor da Escola de Investimentos Leandro & Stormer, Alexandre Wolwacz.
Mas em termos de receitas com ações para a BM&FBovespa, Wolwacz acredita que os resultados do terceiro trimestre a serem publicados na próxima quinta-feira após o fechamento do mercado podem ser menores, em relação a igual período do ano passado. "Veremos resultados mais fracos com ações. Muitas corretoras sentem isso e não estão bem", afirmou o diretor.
Ele contextualizou que o investidor estrangeiro está aproveitando a oportunidade para comprar ações "baratas" em dólar no Brasil e que esse público irá esperar a alta. "Muitas vezes, o estrangeiro faz a compra e senta em cima aguardando a valorização. Isso até pode diminuir o giro financeiro diário no mercado", diz Wolwacz.
Monteiro, da Um Investimentos, diz que giro financeiro diário em ações tem se mantido constante entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões. Mas se considerado esse mesmo volume em dólar, o giro ficou bem mais baixo por causa da forte desvalorização do real em relação a moeda americana.
Em doze meses até setembro último, o dólar médio apurado pelo Banco Central (Ptax) subiu 62,1%, de R$ 2,451 há um ano para R$ 3,973 no final do terceiro trimestre de 2015. Nesse exemplo, um volume médio diário de R$ 7 bilhões que representava US$ 2,855 bilhões em setembro de 2014, tornou-se um montante de apenas US$ 1,762 bilhões em setembro de 2015, ou seja, uma queda de 38% em dólar.
Na visão de Wolwacz, o problema maior da BM&FBovespa não está relacionado ao seu desempenho do mercado acionário, mas sim, a percepção sobre o risco de investimentos no Brasil. "Temos um crise política e econômica e dificuldades de implantar um ajuste fiscal e para adotar uma agenda econômica para o País", diz. Mais positivo, Monteiro lembrou que os estrangeiros estão "comprados" em Ibovespa Futuro, ou seja, pretendem ganhar com a alta da Bolsa.

Fonte: DCI