Bolsa

Retomada de ações de consumo fica para 2016

05/11/2015

Estrategistas notam resultados fracos nos balanços do terceiro trimestre e renovam expectativas ruins para as divulgações relacionadas ao final de 2015 e os primeiros meses do próximo exercício

Diante de resultados financeiros fracos reportados no terceiro trimestre de 2015, o mercado espera uma retomada mais positiva dos papéis das empresas do setor de consumo somente a partir do segundo trimestre do próximo ano.
Nos últimos 12 meses até o final de outubro, o índice de consumo (Icon) - que reúne as principais empresas do setor na Bolsa de Valores - subiu apenas 0,6% enquanto o Ibovespa, principal indicador das ações mais negociadas caiu 8,5% em igual período.
"O segmento de consumo ainda pode sofrer mais com resultados bem fracos no primeiro trimestre de 2016. Para encontrar oportunidades, o investidor terá que ser extremamente seletivo na escolha dos papéis", orientou o estrategista da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira.
Entre as recomendações da corretora estão os papéis da Hypermarcas, Lojas Renner e da Ambev. "A Hypermarcas se desfez de ativos [venda da área de beleza para a multinacional Coty] e o endividamento praticamente vai zerar, e eles vão focar no ramo farmacêutico. A Renner [+1,56% ontem] inovou e está num ambiente favorável, mas há uma preocupação com a inadimplência em cartões. Já a Ambev mesmo com aumento de impostos tem conseguido repassar seus custos", disse. Ontem, Hypermarcas saltou 21,14% a R$ 21,20.
O estrategista lembrou o setor tem sofrido com a inflação alta, o que diminui as margens. "A Brasil Foods, por exemplo, está sem espaço para repassar custos e atua num ambiente competitivo internamente que pode trazer margens mais apertadas em 2016, embora o aumento do dólar compense parte disso com o mercado externo", diz. O papel BR Foods caiu 3,79% ontem.
Na visão do diretor da Magliano Corretora, Raymundo Magliano Neto, a alta de algumas empresas de consumo e do Ibovespa ontem ainda não significa uma tendência de recuperação nos preços dos ativos. "Foi atípico [a alta da Bolsa] e pode ser um voo de galinha, dá uma subida para voltar a cair", comparou.
"O Abílio Diniz [empresário e ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar] disse que o Brasil está muito barato, que o estrangeiro tinha que comprar o País inteiro, e barato está. Ele vendeu ações [de controle] do Pão de Açúcar quando estava R$ 110, agora está R$ 54. Mas a retomada dos papéis de consumo e da Bolsa só virá se houver uma mudança de expectativa em relação ao Brasil, de acreditarem que vai voltar a crescer", alertou o diretor.
Entre as ações de consumo, a corretora Magliano só recomenda Ambev. "A empresa é praticamente monopolista e continuará crescendo", diz. O papel PN subiu 2,67% ontem.
BM&FBovespa e Cetip
Ontem, o Ibovespa disparou 4,76% para 48.053 pontos. A alta quase generalizada foi puxada pela confirmação em fato relevante pela Cetip, de que a depositária de títulos públicos foi procurada pela BM&FBovespa. "Destacamos que não existe, neste momento, qualquer proposta sobre os termos e condições de uma eventual associação". relatou. O papel da Cetip avançou 8,35% para R$ 36,95, enquanto a ação da BM&FBovespa subiu 8,77% e encerrou no preço de R$ 12,40.

Fonte: DCI