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Mercado de fusões e aquisições pode reagir a partir do segundo trimestre do próximo ano

03/11/2015

Segundo relatório da Merrill DataSite, as 712 transações registradas no período entre os meses de janeiro a setembro movimentaram aproximadamente R$ 178 bilhões em negócios corporativos

O mercado de fusões e aquisições pode começar a reagir a partir do segundo trimestre do próximo ano, quando obrigatoriamente o orçamento fiscal estará mais claro e os agentes financeiros terão melhores condições para precificar ativos e concluir negócios.
"O Brasil está historicamente mais barato para o investidor estrangeiro, mas, no cenário atual de incertezas, o dólar tanto pode ficar próximo de R$ 4, cair para R$ 3 ou subir para R$ 5, ninguém sabe responder", diz o sócio da consultoria PwC Brasil e líder da área de M&A [sigla em inglês para fusões e aquisições], Rogério Gollo.
O executivo acredita que, quando a disputa política em torno do orçamento de 2016 estiver resolvida, até março ou abril, será possível compradores e vendedores precificarem melhor os ativos. "Um maior número de negócios só a partir do segundo semestre de 2016", aponta.
De acordo com os dados da consultoria, no acumulado entre janeiro e setembro de 2015 houve uma redução de 12% no número de transações de fusões e aquisições para 565 anúncios, ante 640 em igual período do ano passado.
"No começo de 2015, nós imaginávamos que teríamos um novo recorde de transações, mas depois com a retração na economia [expectativa de queda de 3% no PIB], o cenário ruim ficou pior que a esperado", considerou Gollo.
Ele diz que as companhias nacionais estão se retraindo mais por causa do agravamento do mercado interno, com o acréscimo do elevado custo financeiro das operações, tanto com recursos próprios como via financiamento. "Os juros estão muito altos", considerou.
Sobre as expectativas anteriores sobre a possibilidade de mais negócios no setor de infraestrutura, Gollo respondeu que a quantidade de ativos a venda em função da operação Lava-Jato de outras operações investigadas pela Polícia Federal será pequena, mas talvez envolvendo volumes maiores.
"É preciso saber se essas empresas serão multadas e quem comprar os ativos terá algum passivo ou contingência atrelada. Essas empresas estão em fase de análise para verificar quais são os riscos associados a essas operações [investigadas pela Polícia Federal].
Quanto ao investimentos de fundos de private equity, Rogério Gollo confirmou que esse segmento está capitalizado. "Eles estão com muito recursos e na busca por oportunidades. O momento de tomada de decisão será quanto eles conseguirem visualizar a saída, antes mesmo de compra".
Volume em negócios
Em outra metodologia, a Merrill DataSite relatou que nos nove meses de 2015 o mercado brasileiro acumula 712 transações registradas que movimentaram aproximadamente R$ 178 bilhões, entre anunciadas e concluídas.
No terceiro trimestre do ano foram registradas 230 transações, número 17,4% menor do que igual período de 2014. A maior transação registrada neste trimestre foi o acordo assinado pelo Banco Bradesco para adquirir 100% do capital social do HSBC Bank Brasil e de 100% do capital social da HSBC Serviços que pertencem ao HSBC em uma operação de R$ 17,581 bilhões.
Já no segmento de fundos de private equity (capital empreendedor), de janeiro a setembro deste ano foram registradas 74 transações, que movimentaram aproximadamente R$ 10,6 bilhões, tendo em conta as transações que tiveram seu valor divulgado. Os setores que mais receberam investimentos foram os de distribuição e varejo, financeiro e seguros e tecnologia.
Na área de venture capital, que costuma adquirir participações societárias em pequenas e médias empresas, no mesmo período foram registradas 90 transações, que movimentaram cerca de R$ 962 milhões, nas transações que tiveram seu valor divulgado. "As empresas que atuam no segmento de tecnologia e Internet foram as que mais atraíram o interesse destes fundos", disse a Merrill DataSite em relatório periódico sobre o Brasil.

Fonte: DCI