Bolsa

Bancos devem apontar avanço ‘moderado‘

29/10/2015

Segundo especialistas, mesmo depois do rebaixamento da nota de risco pela Fitch Ratings, os resultados das instituições financeiras podem ser menores no terceiro e quarto trimestres

O balanço dos bancos tende a um crescimento mais moderado no terceiro e no quarto trimestres do ano. No entanto, apesar da baixa atividade de crédito, os títulos e as altas taxas de juros seguem a colaborar para o resultado.
De acordo com especialistas ouvidos pelo DCI, o rebaixamento da nota de risco das instituições financeiras feito na semana passada pela Fitch Ratings, agência internacional de classificação, pode trazer alguns impactos no balanço dos bancos nacionais.
Segundo Giuliano Contento de Oliveira, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no entanto, como o Brasil tem uma "captação de funding externo relativamente baixa quando comparada a outros sistemas bancários", esse impacto tende a ser mais reduzido.
Já, em relação ao sistema de crédito dos bancos, tanto na compra de títulos quanto no empréstimo de recursos, ele ressalta que já foi possível, no decorrer do ano, observar os reflexos da crise em um contexto macroeconômico.
"De qualquer maneira, esse rebaixamento é um canal direto de influência negativa. Mas indiretamente, esse impacto é maior no contexto macro. A expressiva taxa de desemprego e a inadimplência que temos visto, por exemplo, também afeta as receitas", analisa.
Já para Luiz Miguel Santacreu, analista da Austing Ratings, não se poder ter boas expectativas quanto a expansão do crédito desses bancos.
"Com as taxas de juros, os bancos ainda tem auferidos ganhos grandes. Além disso, os títulos também têm crescido e colaborado para o resultado dos bancos, que tem aproveitado essa situação", afirma.
Quanto as ações, Contento ressalta que o rebaixamento concretizou ainda mais desconfiança aos investidores.
"O cenário não é otimista, especialmente porque está conectado a um ambiente marcado por incerteza e por uma capacidade de geração de resultados menor . Isso acaba diminuindo o potencial de valorização dessa ações, especialmente em um horizonte de curto prazo", avalia.
Carteira de Crédito
Em relação à carteira de crédito dos bancos públicos, Santacreu destaca que as projeções também seguem modestas.
"Com o BNDES e a Caixa retraindo e o Banco do Brasil bem mais próximo aos privados do que da própria concessão de credito, a tendência é de queda da expansão de crédito dos bancos públicos", afirma.
"O PIB já esta configurando um declínio forte e o crédito não está sendo estimulado para melhora dessa situação", conclui o analista.
"Será uma geração mais moderada de receitas mas, por outro lado, essas instituições tem avançado muito e a passos cada vez mais largos a partir de previdência e capitalização, o que a contrapesa uma eventual queda da receita de intermediação, ou um crescimento mais moderado", diz Contento.

Fonte: DCI