Bolsa

Investidor milionário diversifica suas aplicações para aumentar os ganhos

27/10/2015

Cliente de private banking possui R$ 440 bilhões de patrimônio líquido em fundos e mais R$ 330 bilhões aplicados diretamente em títulos públicos, papéis privados e outros valores mobiliários

Diferente do investidor de varejo que manteve a preferência por fundos indexados a taxa DI ao longo de 2015, os clientes de private banking (milionários) estão buscando a diversificação de suas aplicações financeiras para aumentar seus ganhos no mercado.
Esse público de altíssima renda buscou além de fundos DI, aplicações em: certificados de depósito bancário (CDBs); debêntures incentivadas de infraestrutura atreladas ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA); certificados de operações estruturadas (COEs) de moedas, de inflação e de ações; títulos públicos Tesouro IPCA; fundos de renda fixa em juros reais; e também fundos de investimentos no exterior em ativos na Europa e no Japão.
Na avaliação do superintendente de private banking do Santander, José Mauro Delella, devido ao elevado dos juros pós-fixados de curto prazo, a alocação média em instrumentos diversificados é baixa no Brasil em relação ao padrão global, mas a percepção atual é que o investidor mais sofisticado e exigente está aplicando seus recursos em diversas frentes. "O que é digno de nota num ano de 2015 com taxas de juros tão altas", afirma Delella.
O superintendente contou que devido a pequena oferta de letras de crédito imobiliário (LCIs) em 2015, que uma parte dos investidores migrou para CDBs, que tem o mesmo risco de crédito, mas sem o incentivo tributário das LCIs.
Delella também apontou uma maior procura por fundos de investimentos em juros reais. "Está com uma remuneração maior que o padrão histórico. E houve uma boa demanda por debêntures incentivadas, por causa, do prêmio que a curva de juros está apresentando", afirmou.
Em instrumentos mais alternativos, o superintendente lembrou da busca por proteção (hedge) em moedas. "No início foi predominante o COE de câmbio. Depois na margem, diminuiu, por causa do patamar que o dólar atingiu", disse.
Mas ao longo do período, esse investidor se interessou por COEs de inflação e de COEs de ações em Bolsa. "É uma opção para quem carrega uma posição em dólar ou em Bolsa de Valores, e tem o interesse de proteger-se de uma eventual queda", comentou o executivo.
No ambiente de diversificação global, Delella contou que houve a continuidade de alocação em investimentos no exterior. "Ainda existe procura pela diversificação global. Desde o início do ano há uma visão mais positiva sobre as bolsas europeias e por ativos no Japão", apontou sobre a atenção do público milionário.
Ele considerou, no entanto, que as bolsas americanas estão com uma performance muito inferior a registrada em anos anteriores. Na prática, o cliente que antes havia entrada num carteira de ações de índice S&P ganhou mais com o câmbio, ou seja, com a valorização do dólar em relação ao real, do que com o retorno das ações de companhias americanas.
"Entramos num período de divulgação de balanços corporativos nos Estados Unidos, e não estávamos vendo aquela sequência de surpresas positivas, na comparação com trimestres anteriores. O que acaba gerando uma percepção de que o mercado está mais próximo do preço justo", alertou.
Na visão do executivo isso gera uma procura por outros mercados, que por uma questão de ciclos econômicos estão mais atrasados em relação aos americanos, como a Europa e o Japão. "Tem algumas reformas e a perspectiva de novas medidas por parte do governo no Japão", completou.
Visão internacional
Na mesma linha de argumentação sobre diversificação, o representante de portfólio manager da gestora Franklin Templeton no Brasil, Guilherme Paris, lembrou que o investidor de alta renda tem encontrado "prêmios" em estratégias de renda fixa, juros e moedas e investimentos no exterior via fundos multimercados.
De fato, os últimos dados disponíveis da Anbima referentes a agosto mostram o público private possui R$ 213,3 bilhões em fundos multimercados, cerca de um quarto do patrimônio desses milionários.

Fonte: DCI