Bolsa

Empresas ‘mais baratas‘ na Bolsa atraem capital estrangeiro no mês

27/10/2015

O investimento direto no País alcançou os US$ 6,037 bilhões durante os trinta dias de setembro, o suficiente para cobrir o déficit em conta corrente, além de superar a estimativa do Banco Central

"Empresas baratas na bolsa" favoreceram a entrada de recursos estrangeiros no País. No mês passado, segundo o Banco Central (BC), esse ingresso superou em US$ 2 bilhões a estimativa da autoridade monetária brasileira.
O investimento direto no País (IDP) alcançou os US$ 6,037 bilhões durante os trinta dias do mês passado, o suficiente para cobrir o déficit em conta corrente registrado em setembro, de US$ 3,076 bilhões. A expectativa do BC era de ingressos em US$ 4 bilhões no período.
"Esse resultado positivo acontece porque as empresas brasileiras em bolsa ficaram muito baratas", afirmou Adriano Gomes, professor de administração da ESPM. O especialista ressaltou também o impacto do câmbio para este segmento: "um estrangeiro com US$ 1 milhão para investir tem quase R$ 4 milhões no Brasil".
Dentre os US$ 6 bilhões de investimentos diretos líquidos no Brasil, US$ 4,4 bilhões foram feitos em participação no capital, com US$ 671 milhões decorrentes de reinvestimento de lucros. Também chama a atenção o US$ 1,7 bilhão ingresso por operações intercompanhias.
Para Tharcisio Souza Santos, professor de economia da FAAP, "o fato de que a taxa de juros excessivamente alta no Brasil, aliada ao fato de que o Federal Reserve [Fed, o banco central dos Estados Unidos] não elevou as suas taxas, continua atraindo certo investimento para o País".
O IDP entre janeiro e setembro ficou em US$ 48,2 bilhões, ante US$ 73,3 bilhões em igual período do ano passado. Também houve queda na comparação mensal: em 2014, o resultado de setembro chegou a US$ 7,9 bilhões, acima dos US$ 6 bilhões registrados no nono mês deste ano.
"Acredito que até o final do ano o investimento direto no País deve chegar em US$ 61,5 bilhões. No ano que vem, o número deve cair para US$ 60 bilhões se a crise continuar", apostou Santos. "Quem está investindo no País não espera retorno em um ou dois anos, mas acredita em retorno no longo prazo", acrescentou.
Para Gomes, o IDP "deve permanecer com trajetória de evolução, em grande parte por causa do estímulo trazido pelo real mais barato".
Dívida externa
O endividamento brasileiro com credores internacionais subiu de US$ 59,9 bilhões para US$ 65,4 bilhões entre junho e setembro. A dívida, que tem ser paga no curto prazo, fica ainda mais salgada com o encarecimento do dólar, atualmente, cotado em R$ 3,90.
"Isso é um reflexo dos ajustes do mercado financeiro, que passou a enxergar o Brasil como um País mais arriscado. Ficou mais difícil conseguir recursos baratos e de longo prazo", explicou Gomes.
Santos acredita que "passamos por um péssimo momento para assumir compromissos financeiros de curto prazo. Com o câmbio tão incerto, há necessidade de gastar mais com o pagamento de hedge [operação financeira] para poder se proteger".
A maior parte dessa dívida, US$ 61,3 bilhões, foi contraída por bancos. No período entre junho e setembro, este tipo de passivo destas instituições cresceu quase US$ 7 bilhões.

Fonte: DCI