Bolsa

Papéis de bancos podem sofrer mais com rebaixamento de notas pela Fitch

20/10/2015

Percepção de investidor local é que as principais instituições vão apresentar resultados positivos nos balanços do terceiro trimestre, mas estrangeiro observa risco de aumento da inadimplência

Os papéis dos bancos brasileiros podem sofrer mais com um possível rebaixamento em cascata da nota de risco de crédito das instituições financeiras pela Fitch Ratings, agência internacional de classificação que rebaixou a nota soberana do Brasil na semana passada.
Esse rebaixamento em cascata dos bancos nacionais já havia acontecido em 10 de setembro último após a Standard & Poor‘s (S&P) ter rebaixado a nota do Brasil para grau especulativo e causado uma forte baixa nos papéis.
No ano de 2015 até ontem, as ações do Itaú, do Bradesco e do Banco do Brasil apresentam perdas superiores a 20%, enquanto a unidade (UNT) do Santander Brasil, controlado pelo espanhol Santander mostra ganhos de 7% no período.
"Essa possibilidade do segundo downgrade (rebaixamento) existe. A crise política e econômica tem influenciado mais o preço dos papéis do que o resultado positivo dos balanços. O Itaú e o Bradesco tiveram lucros bilionários e ações recuaram", diz o analista da Planner Corretora, Victor Luiz de Figueiredo Martins.
O analista aponta que os dois grandes bancos privados brasileiros (Itaú e Bradesco) podem até exibir uma pequena queda nos lucros do terceiro trimestre de 2015, na comparação com igual período do ano passado, mas que ainda assim serão resultados expressivos. "Se o Itaú tiver um lucro em torno de R$ 6 bilhões no trimestre, e o Bradesco, cerca de R$ 4,5 bilhões, não é um resultado ruim. Por outro lado, com a queda do valor das ações, o retorno sobre o capital pode até melhorar", afirma.
Mas na visão do sócio-diretor da Escola de Investimentos Leandro & Stormer, Alexandre Wolwacz, os investidores estrangeiros desses papéis entendem que, diante de um segundo rebaixamento do Brasil - e em cascata das demais instituições locais -, os bancos brasileiros tendem a pagar juros mais altos para captar recursos em bônus no exterior.
"Hoje há muita insegurança do investidor estrangeiro em relação ao Brasil. A confiança no País foi perdida. Já o investidor local sabe que os bancos maiores estão bem e podem até exibir melhora na rentabilidade e na eficiência", disse.
Mas Wolwacz aponta que se os bancos brasileiros apresentarem resultados fortes nos balanços do terceiro trimestre haverá a possibilidade de alguma recuperação no preço das ações. "O grande receio é que o governo decida intervir nos bancos públicos [Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES] para reativar a economia. Uma facilitação de crédito para consumo 3 por exemplo - pode ser perigosa e arriscada, e poderia significar uma explosão da inadimplência. O setor bancário privado que é mais restritivo na concessão está numa situação mais confortável", afirma.
Segundo Martins, da Planner, desde o mês de abril, o mercado também está mais preocupado com os desdobramentos da operação Lava-Jato, investigada pela Polícia Federal. "Houve uma piora muito forte nas condições macroeconômicas e um agravamento da crise política. O dinheiro está mais curto e caro. E há o medo da inadimplência (calote dos clientes) estourar", observa.
O analista pondera que os bancos argumentam que tudo está provisionado. "Mas nunca se tem certeza. A realidade é que o nível da atividade de crédito está muito fraca, nos privados cresce 5%, e no crédito total que inclui os públicos cresce 9%. Mesmo assim veremos um menor resultado financeiro originado da atividade de crédito", disse Martins.
Sobre a performance positiva do Santander Brasil no ano, o analista avalia que a subsidiária do banco espanhol começou a apresentar melhores resultados no balanço do segundo trimestre. "O Santander já esteve precificado bem abaixo de seus pares, agora está retornos mais consistentes", diz.

Fonte: DCI