Bolsa

Fundos de investimentos globais e europeus serão foco de gestora do BB

13/10/2015

Carteiras multimercados da BB DTVM com ativos no exterior tiveram rentabilidade entre 48% e 54% no acumulado em 12 meses até setembro; novos produtos devem ser lançados em 2016

Diante do cenário de valorização já expressiva de papéis americanos, a BB DTVM - a gestora de fundos do Banco do Brasil - irá divulgar seus fundos globais e europeus dentro de sua família de carteiras de investimento no exterior.
Segundo o diretor-presidente da BB DTVM, Carlos Massaru Takahashi, a perspectiva de alta da taxa de juros nos Estados Unidos, possivelmente adiada para 2016, tem trazido volatilidade aos mercados acionários.
"O investimento no exterior é um componente de diversificação. Hoje, temos 8 fundos com patrimônio perto de R$ 1,5 bilhão, são carteiras de global equities [ações globais] e europeus, mais facilmente compreensíveis por parte do investidor", disse o executivo ao DCI, após o encerramento do Congresso Brasileiro de Fundos de Pensão, na última sexta-feira, em Brasília.
Em termos de rentabilidade, o investidor qualificado com mais de R$ 1 milhão para aplicação inicial teve bons ganhos nessas carteiras de investimento no exterior nos últimos 12 meses até o final de setembro, principalmente devido ao efeito da desvalorização do real em relação ao dólar americano. O BB Multimercado JPMorgan teve ganho de 48%, superado pelo BB Multimercado Schroder com 53,55% e pelo BB Multimercado Blackrock com 54%.
"É importante que esse investimento seja visto como de longo prazo, pela característica do próprio investimento, e não como algo oportunista", condicionou o presidente da BB DTVM.
Massaru disse que sua instituição deverá trabalhar novas estratégias para 2016 e eventualmente lançar novos fundos de investimento no exterior para clientes institucionais, assim como fundos temáticos para o público private (milionários). "Nossa segunda família de fundos são carteiras com foco em Europa. A zona do euro ainda vem tomando medidas de incentivo ao crescimento, a gente imagina que a margem de crescimento dos papéis lá é maior. Estados Unidos, obviamente, ainda que as bolsas americanas tenham andado bastante, nós estamos falando de uma economia que vai manter um ritmo de crescimento consistente. Ainda que o potencial seja menor, a gente enxerga algum potencial de ganho", disse.
Entre essas outras carteiras, a BB DTVM já divulga algumas informações em seu portal sobre os fundos BB Multimercado Schroder Europa, BB Multimercado Aberdeen, BB Multimercado UBS e BB Multimercado UBS. A taxa de administração é de 0,08% ao ano e aporte inicial de R$ 1 milhão.
Alerta
Presente ao mesmo Congresso, o sócio diretor da Lacan Investimentos, Luís Augusto de Oliveira Candiota, alertou que as "bolsas americanas estão com uma certa exaustão", ou seja, já valorizaram muito nos últimos anos, e portanto, os papéis estão caros. "A volatilidade [oscilação mais rápida dos preços] apenas começou a surgir, a gente entende que ainda será maior. Nós vemos mais ‘chocalhadas‘ no mercado externo. Os Estados Unidos cortando seu quantitative easy (programa de facilitação monetária), enquanto os bancos centrais da Europa e do Japão estão expandindo, e isso traz enormes distorções de liquidez aos mercados", disse Candiota.
Com essas distorções, ele acredita que irá aparecer oportunidades em arbitragem do preço dos ativos no investimento ao exterior. "Quanto se fala em Long and Short [estratégia de arbitragem] no exterior, não falamos apenas de ações, mas também em títulos de renda fixa, commodities. É um mercado que tem muita liquidez, muitos ativos e oportunidades", apontou o sócio-diretor da Lacan.
Ações americanas
Especificamente sobre a valorização das ações americanas, Candiota considerou que o ponto de entrada é muito importante. "Lá fora ainda há algumas oportunidades nos Estados Unidos, mas com retornos comedidos. Na Europa também tem algumas novidades, mas não se encontra em todas as empresas", disse o diretor ao DCI.
Candiota frisou que sempre foi defensor do investimento no exterior como estratégia de diversificação. "O investimento só em moeda [euro ou dólar] não rende nada, é preciso encontrar ativos naquela moeda que justifique o investimento naquele tipo de câmbio".
Ele explicou que boa parte do rendimento dos fundos em ações estrangeiras veio da desvalorização em relação ao dólar americano. "Isso não aconteceu só no Brasil, mas também em outros países emergentes voltados às commodities. Nosso câmbio não está tão fora do preço como dizem. O Brasil tem a quinta maior liquidez [em derivativos financeiros de câmbio] do mundo, portanto há muita especulação em cima do real". O diretor executivo da BB DTVM, Carlos José da Costa André, avaliou que a primeira onda de investimentos no exterior começou bem. "Os primeiros fundos surfaram na onda do câmbio, o que contribuiu para uma experiência positiva", disse. /O repórter viajou a convite da Abrapp

Fonte: DCI