Bolsa

Dobra mercado de operações estruturadas

09/10/2015

O estoque do produto financeiro atingiu R$ 7,25 bilhões até 8 de outubro. Investidor pessoa física do varejo alta renda ou milionário acessa o segmento a partir do ticket mínimo de R$ 15 mil

O mercado de certificados de operações estruturadas (COEs) - produto financeiro de tesouraria que combina instrumentos de renda fixa e variável - atingiu o estoque de R$ 7,25 bilhões neste ano até o último dia 8.
Os dados foram informados ontem pelo superintendente de produtos da Cetip, Fábio Zenaro, após participar do Congresso Brasileiro de Fundos de Pensão realizado em Brasília. "É mais que o dobro na comparação com o final do ano passado, quando estava entre R$ 3 e R$ 3,5 bilhões", afirmou ao DCI.
Zenaro explicou que esse produto de captação bancária é procurado por pessoas físicas nas principais instituições de varejo a partir do ticket mínimo de R$ 15 mil. "O ticket médio está em torno de R$ 100 mil, mas há alguns investidores institucionais [fundações e gestores de fundos] com ticket de R$ 1 milhão, mas 90% dos investidores são pessoas físicas. Mas o investidor não irá encontrar nenhum folheto ou totem informativo numa agência", contou ele, ao se referir ao modelo de comercialização restrita desse produto.
A diferença de 10% é completada por participação de 6% a 7% de empresas que buscam proteção (hedge) para variação do dólar, e de 3% a 4% por investidores institucionais, como são chamados os gestores de fundos de investimentos e de planos de pensão. "Essa participação poderia ser muito maior, mas falta conhecimento sobre esse produto. O COE é relativamente novo, tem apenas um ano e meio no mercado brasileiro", argumentou.
Zenaro citou que nos Estados Unidos, as conhecidas notas estruturadas possuem um mercado de US$ 40 bilhões por ano e competem com os fundos de hedge. Na Europa, as notas estruturadas movimentam o equivalente a US$ 60 bilhões por ano. "Os principais mercados são a Itália, Alemanha e França, e há COEs listados [em bolsas de valores] na Alemanha e na Suíça. Na Europa, essas notas respondem de 10% a 15% do funding [captação de recursos] dos bancos, um volume superior a 770 bilhões de euros", descreveu.
No Brasil, do estoque de mais de R$ 7 bilhões em estoque, 94% dos certificados de operações estruturadas estão na modalidade Valor Nominal Protegido, em que o investidor não corre o risco de perder o seu capital investido. "Se consegue montar uma estrutura em que mesmo no pior cenário, o investidor tem o valor principal devolvido. Na prática, quando o investidor entrega seu dinheiro ao banco, a instituição vai investir a maior parte em renda fixa [prefixada] e a outra parte em derivativos e opções, de onde poderá vir o ganho adicional".
Na outra ponta, 6% dos recursos, cerca de R$ 410 milhões, estão na modalidade em que os investidores aceitam perder parte de seus recursos ou até o limite do capital investido originalmente. "Sempre tem aqueles que aceitam perder um pouco e assumem mais riscos", disse Zenaro. "Corre-se o risco de mercado [oscilação dos preços dos ativos e derivativos] e o risco de crédito, se o banco inadimplir [quebrar] o investidor não recebe", alertou.
O COE não tem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, o risco é o do emissor do título de captação bancária, por isso, a preferência do investidor por certificados das principais instituições. "Quatro ou cinco grandes bancos emitem diariamente, e outros quatro ou cinco, pontualmente. Não vejo emissões de bancos médios", disse. O repórter viajou a Brasília a convite da Abrapp

Fonte: DCI