Bolsa

Com rentabilidade negativa da Bolsa e da poupança, dólar tem ganho de 28%

07/10/2015

Segundo estudo exclusivo, Ibovespa, poupança e fundos de ações apresentaram quedas reais de 12,91%, 1,44% e 9,66%, respectivamente, contando com a inflação no período medida pelo IPCA

Mesmo com a inflação em alta, algumas aplicações financeiras estão oferecendo rendimento. Enquanto os fundos de ações, a poupança e o Ibovespa apresentam perdas reais de investimento, o dólar segue em vantagem, com rentabilidade real superior a 28%.
A inflação acumulada em 2015 pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou em 7,06% até agosto deste ano.
Já pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), ficou em 7,36% no mesmo período.
Segundo especialistas ouvidos pelo DCI, a alta de juros e o cenário de instabilidade no País, automaticamente beneficiaram fundos cambiais e aplicações de renda fixa, as quais pagam determinadas porcentagens de Certificado de Depósitos Interbancários (CDI).
Em um estudo exclusivo feito pelo Instituto Assaf, os dados apontam que os destaques negativos se deram pelas perdas reais apresentadas pelos Fundos de Ações, por exemplo, que, em média, apresentaram rentabilidade já negativa de 3,28%. Acrescidos ainda com a inflação do IPCA, mostraram rentabilidade real negativa de 9,66%.
Além disso, o Ibovespa e a poupança também registraram perdas reais.
De janeiro a agosto deste ano, o Ibovespa apresentou uma perda real de 6,76%.
Ainda ao considerar a inflação no mesmo período, a rentabilidade chega a ser negativa em até 12,91%.
A poupança, por sua vez, que apresenta ganhos acumulados de 5,81% em 2015, está com uma perda real de 1,17% registrada pelo IPCA e de 1,44% pelo IPC/Fipe.
Segundo o professor Fabiano Guasti Lima, pesquisador do próprio Instituto Assaf, a indisposição dos investidores em colocar dinheiro em aplicações com desconto de imposto de renda foi um dos principais fatores contribuintes para a perda de competitividade da poupança nesse cenário.
"Além disso, a instabilidade da economia acaba se refletindo no cambio. O dólar é atrativo para quem vai para o exterior, e acaba sendo mais especulativo do que uma aplicação. E a mesma coisa aconteceu com o ouro. Isso acontece em períodos de crise, por maior preservação do poder monetário", avalia o especialista. Ainda de acordo com dados do estudo do instituto, além da rentabilidade do dólar - nominal de 37,29%, sendo que real foi de 28,23% - até agosto, o ouro, também no mesmo período de observação, teve um ganho nominal de 29,68% e real de 21,13%, adotando a inflação do IPCA e da Fipe respectivamente.
Para Lima, no entanto, apesar de o dólar representar a preservação do valor, é preciso cuidado ao enxergá-lo como forma de investimento.
"É necessário cuidado, porque existem cotações diferentes para compra e venda da moeda norte-americana. Precisa-se saber a hora certa de entrar e de sair, porque apesar de representar uma preservação de valor, o dólar é um pouco mais arriscado", afirmou ao DCI. "O recomendado seriam aplicações atreladas ao CDI", acrescentou o professor e pesquisador da Assaf.
Perspectivas
As expectativas, no entanto, permanecem estáveis para esse mercado. Diante o cenário de perdas reais visto na poupança, no Ibovespa e nos fundos de ações, os ganhos nominais no dólar e no ouro e a valorização em títulos públicos e em aplicações de renda fixa interligadas ao CDI, tendem a continuar no mesmo patamar.
Para João Medeiros, diretor de câmbio da corretora Pioneer, apesar de a moeda brasileira apresentar uma melhora dos altos patamares alcançados nos últimos dias, os níveis vistos atualmente devem continuar semelhantes.
"A situação que a gente vê do real ante o câmbio é de R$ 3,84. A moeda se desvalorizou muito ante a perda do grau de investimento brasileiro, a paralisia da economia e o núcleo de incertezas políticas. A não ser que a Dilma faça os vetos que precisa fazer e traga uma nova equipe econômica para governar efetivamente durante os três anos, esses níveis devem permanecer", avaliou.
Para Lima, o recomendável para o investidor são, exatamente, as aplicações que, no estudo, apresentaram um maior nível de rentabilidade.
"Enquanto a inflação não ceder, e o cenário interno do País não mudar, eu não vejo muitas perspectivas para o futuro. A inflação está batendo na porta e ela corrói o ganho das aplicações e o poder de compra das pessoas, o que mexe na economia. Dificilmente teremos uma queda de juros no curto prazo", disse.

Fonte: DCI