Bolsa

Estoque de título de inflação aumenta R$ 56 bilhões no ano e atrai investidor

02/10/2015

Pessoas físicas preferem papéis com vencimento em 2019 e 2020, mas especialistas alertam para volatilidade no preço se houver necessidade de vender antes de completar o prazo de vencimento

O estoque de títulos públicos e privados indexados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentou R$ 56,2 bilhões no ano até o final de agosto. Essa expansão é incentivada pela alta rentabilidade real prometida aos investidores, acima de 7,5% ao ano.
Nesse segmento com patrimônio de R$ 810 bilhões, mais de 94% ou R$ 766 bilhões estão em títulos públicos federais indexados ao IPCA, e a diferença de R$ 44 bilhões estão em debêntures, títulos de dívida corporativa também atrelados ao índice oficial de inflação do Brasil.
Segundo o último balanço do Tesouro Nacional, a expansão do estoque de títulos públicos de inflação alcançou R$ 52,84 bilhões até o final de agosto, uma média de R$ 6,6 bilhões por mês.
Entre os mais de 550 mil investidores pessoas físicas cadastradas no Tesouro Direto, a preferência (60,4%) nas compras no mês de agosto foi por títulos públicos Tesouro IPCA (R$ 646,2 milhões) e Tesouro IPCA com juros semestrais (R$ 186,5 milhões). Ao todo, os clientes do Tesouro que compram direto pela internet são detentores de um patrimônio de R$ 12,5 bilhões nesses papéis que pagam a variação da inflação oficial mais juros reais.
Na avaliação do diretor do Easynvest, Amerson Magalhães, o que tem chamado a atenção do investidor pessoa física no Tesouro Direto é a rentabilidade prometida em Tesouro IPCA nos vencimentos para 2019 (juro real de 7,51% ao ano), 2020 (7,48% ao ano) e 2024 (7,44% ao ano), mas ele recomenda cautela quanto ao horizonte de investimento (prazo).
"Esse alerta também vale para o título privado. O investidor deve ficar atento ao descasamento entre o prazo de vencimento e o objetivo do seu investimento. Se vender o papel antes do prazo, ele pode ter prejuízo", avisou Magalhães sobre o efeito da volatilidade nos preços dos títulos ao longo do tempo.
No mercado de dívida soberana (do Brasil), os principais detentores de títulos públicos de inflação são os planos de previdência privada que possuem R$ 310 bilhões nesses papéis, não por acaso, esses clientes institucionais foram os que mais aportaram recursos em títulos do governo nos oito primeiros meses de 2015.
Na sequência, os maiores detentores de títulos públicos de inflação são os fundos de investimentos com R$ 151,4 bilhões em diferentes carteiras de renda fixa ou multimercados. Na subcategoria renda fixa índice de preços que possui patrimônio total de R$ 136 bilhões, os gestores concentram a maior parte das carteiras em títulos de inflação. Nos últimos doze meses até 25 de setembro de 2015, a rentabilidade atingiu 9,59% segundo o relatório consolidado diário da Anbima.
As instituições financeiras (tesourarias de bancos) também são detentores de um patrimônio de R$ 145 bilhões em títulos públicos de inflação, seguido por R$ 63 bilhões no estoque de investidores estrangeiros, e de R$ 48,3 bilhões de reservas nas seguradoras.
Papéis de infraestrutura
No setor privado, os papéis que estão atraindo a atenção dos investidores pessoas físicas são as debêntures incentivadas de infraestrutura. Esses papéis possuem isenção do imposto de renda (IR) para pessoas físicas e estrangeiros e também pagam juros reais mais a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPVA). Num investimento de longo prazo, mais de 5 anos, essa isenção do IR representa um ganho adicional de 15% (da alíquota).
De acordo com dados atualizados até ontem pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), mais de R$ 3 bilhões foram emitidos em debêntures de infraestrutura nos nove meses de 2015.
Nesse período entre os 12 papéis que foram ao mercado, o título de infraestrutura da mineradora Vale com vencimento em 2020 prometeu ganhos de 6,6232% ao ano, isento do imposto de renda (IR), o menor entre as ofertas públicas realizadas até setembro.
"Numa debênture de infraestrutura, o investidor pessoa física deve observar o risco de crédito do emissor. Em teoria, a rentabilidade do papel privado tem que ser maior que o ganho do título público [risco soberano, do País]. Outro cuidado com o papel privado é o risco de liquidez, o mercado secundário tem baixa liquidez [poucos negócios], corre-se o risco de comprar num preço mais alto [no primário] e vender depois com o preço mais baixo [no secundário]", alertou Magalhães, do Easynvest.
Para o coordenador de renda fixa da Um Investimentos, Vitor Rocha, mesmo com os riscos de mercado e de liquidez, o investidor pessoa física tem demandado os papéis de infraestrutura. "Tirando o papel da Vale, as demais debêntures estão pagando juros reais de 8%, 9% e até 10% ao ano."
De fato, nas ofertas realizadas, a remuneração sem a incidência de imposto de renda oscilou entre a mínima de 5,9828% ao ano no papel da MRS Logística para 2022 e a máxima de 10,33%, no caso da debênture de infraestrutura da Saneatins para 2022.
Ainda no topo da remuneração, o risco da eólica Bons Ventos da Serra saiu prometido a 9,432% ao ano mais inflação medida pelo IPCA. E a eólica Ventos de Santa Brígida prometeu juro real de 8,8593% ao ano mais o IPCA. Um pouco abaixo, mais com rentabilidade atrativa, uma debênture de CCR com vencimento em 2020 ficou em 7,34% ao ano. "A rentabilidade é proporcional ao risco", lembrou Amerson Magalhães, da Easynvest.
No intervalo com riscos considerados menores nos livros de ofertas, o papel da Rodovias Integradas do Oeste prometeu ganho real de 6,38% ao ano no vencimento para 2020. Na sequência, a debênture da MRS para 2025 prometeu ganho real de 6,4277% ao ano.
A Salus Infraestrutura Portuária entrou com taxa real de 6,7879% ao ano para 2024, seguido pelo projeto VLI Multimodal com vencimento em 2020 com remuneração real prometida de 6,8839% ao ano, mais a inflação do IPCA.

Fonte: DCI