Bolsa

Perspectiva para papéis dos bancos é positiva mesmo com elevação do risco

15/09/2015

Preços das ações do setor financeiro sobem e descem rapidamente ao ritmo das notícias políticas sobre o corte de despesas no governo federal ou de rumores sobre os novos aumentos de tributos

A perspectiva de recuperação dos principais papéis do setor financeiro segue positiva para 2016, mas a volatilidade no curto prazo e os riscos de mercado permanecerão elevados para os bancos por causa da questão fiscal no Brasil.
Ontem, os investidores até deram uma trégua aos papéis do setor bancário por causa do anúncio de cortes no orçamento do governo federal, da redução de benefícios tributários e de aumento de impostos para gerar um superávit primário de 0,7% do produto interno bruto (PIB) no próximo ano de 2016.
O Ibovespa avançou 1,9% ontem para 47.281 pontos, puxado por uma recuperação de 5,58% da ação preferencial (PN) do Itaú para R$ 28, e da elevação de 5,41% da PN da Itaúsa para R$ 7,80 e da melhora do papel PN do Bradesco em 6,52% para R$ 23,86.
Na semana passada, os papéis dos principais bancos havia sofrido com o respectivo rebaixamento dos ratings (notas de risco de crédito) pela agência internacional Standard and Poor‘s (S&P), após a perda do grau de investimento (conceito de bom pagador) soberano do Brasil.
"O investidor estrangeiro reagiu diante do sentimento de aversão a risco ao Brasil. Mas na prática, o impacto do rebaixamento das notas das instituições financeiras brasileiras para os principais bancos é pequeno pois o funding [captação] é majoritariamente interno. O risco maior é o da perda do grau de investimento soberano por outra agência internacional [Fitch e Moody‘s]", diz o analista da corretora Coinvalores, Felipe Silveira.
Entre as medidas do governo divulgadas ontem, pelo menos duas devem influenciar os resultados do setor financeiro e das companhias abertas listadas em Bolsa de Valores.
A primeira que afeta diretamente foi a redução dos benefícios tributários dos Juros sobre Capital Próprio (JCP), a alíquota aumentou de 15% para 18%. "O benefício fiscal da JCP continua, pois desestimula o endividamento das empresas", disse ontem, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
A segunda medida, se aprovada pelo Congresso Nacional, será o ressurgimento da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) com alíquota de 0,20%, e tende a afetar indiretamente os bancos e diretamente em cascata todas as movimentações financeiras.
"O aumento dos impostos para os bancos já estava precificado na questão do aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de 17% para 20%, mas o risco de novos aumentos de impostos e de alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) permanece e afetará os custos dos empréstimos", observou o economista-chefe da Tov Corretora, Pedro Paulo Silveira.
Mas por outro ângulo, o economista lembra que o setor é bastante sólido no Brasil e que 70% dos ativos estão concentrados nos cinco principais bancos brasileiros - Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander.
"A expectativa é positiva, as instituições continuam apresentando bons resultados financeiros em seus balanços. Numa crise como essa, os bancos deixam de emprestar para clientes de risco elevado, e só financiam aqueles com melhor perfil de crédito. Nessa estratégia, a rentabilidade pode até aumentar mesmo sem elevar a exposição de crédito", afirmou.
Mas o analista da Coinvalores ressaltou que a pressão de curto prazo sobre o sistema financeira deverá ficar no radar dos investidores. "O ajuste na economia vai afetar os bancos pois passa por uma elevação de impostos", disse Felipe.
Para entender a questão
Em boletim aos seus clientes, a corretora Planner já havia explicado que a S&P rebaixou as classificações em escala global de 13 instituições financeiras brasileiras: Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil, Caixa, BNDES, Safra, BTG Pactual, Citibank, Banco Pan, Banco do Nordeste e Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. "O ABC Brasil e o Banco Votorantim tiveram seus ratings em escala global confirmados, mas tiveram a sua perspectiva alterada para negativa, indicando a possibilidade de futuro rebaixamento".
Em relatório aos clientes, a Itaú Corretora também havia informado que um maior custo de capital levaria a um menor preço justo dos bancos. "De acordo com os seus cálculos, um aumento de 100 pontos percentuais no custo de capital implicaria em uma redução de aproximadamente 15% no preço justo dos grandes bancos", relatou o Itaú.

Fonte: DCI