Bolsa

Governança corporativa melhor pode minimizar saída de investidor externo

15/09/2015

Grupo de interagentes dos mercados financeiro e de capitais trabalha na criação de código único de boas práticas de gestão voltado para companhias abertas, de capital misto e fechadas no Brasil

Após a perda do grau de investimento do Brasil atribuído pela Standard & Poor‘s (S&P), o mercado de capitais buscará melhorar suas práticas de governança corporativa com o objetivo de minimizar a saída de investidores estrangeiros.
"Mais do que nunca, agora que não temos o grau de investimento [selo de bom pagador] é preciso substituir esse predicado [qualidade] com outros predicados. Não devemos esperar que o mercado de capitais se agonize ainda mais. O momento exige reformas e profundidade nessas mudanças", avaliou a presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Sandra Guerra.
Entre as iniciativas, ela aponta a importância da reforma do Novo Mercado, o segmento de governança corporativa na Bolsa de Valores, e a criação do código brasileiro de governança corporativa. "Nossos vizinhos tiveram saltos de confiança nos últimos anos e temos que responder a esses desafios para atrair capital", comparou.
Ela contou que o grupo de interagentes que reúne 11 entidades de governança e de associações dos mercados financeiro e de capitais já está trabalhando na análise de 18 documentos selecionados de 56 países que possuíam o código de governança com o modelo pratique ou explique.
Os documentos já adotados pela África do Sul, Austrália, Chile, Colômbia, Peru, Espanha, França, Hong Kong, Japão, Malásia, México, Reino Unido, Rússia, Suécia, Cingapura, Tailândia e pela OCDE e o G20 [países ocidentais e principais emergentes] servirão de base para construir o código brasileiro. "É um movimento tardio, é verdade, mas a adoção do código com modelo de relate ou explique poderá mostrar à comunidade internacional uma maturidade do Brasil", diz a presidente.
Sandra explicou que após uma análise inicial dos documentos externos, o grupo de interagentes identificou 50 pontos de atenção. "Será desenhado um modelo que atenda nossas necessidades, mas com flexibilidade para que a empresa possa explicar de forma convincente por que não adota determinada prática", disse.
O novo documento brasileiro, ainda sem data para conclusão, também terá como matrizes: o código de melhores práticas do IBGC e o modelo de relate ou explique da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca). "Em 9 países há supervisão, sendo 7 deles pelas respectivas comissões de valores mobiliários via bolsas de valores, e em dois países por entidades autorreguladoras. No Brasil, a CVM poderá fazer essa supervisão". O regulador do mercado de capitais brasileiro diz que apoia e acompanha o trabalho do grupo de interagentes. "Ter um código único é uma mensagem clara de que temos uma direção. Não vai resolver, mas ajuda. O código único existe em 56 países. É um absurdo, mas no Brasil não havia essa discussão", disse o presidente da CVM, Leonardo Pereira, em encontro com jornalistas.
Ele apontou que quando esse código único ficar pronto, a CVM deverá avaliar o trabalho. "Se tiver ok, a CVM pode referendar isso", afirmou.

FONTE: DCI