Bolsa

Investidor reage ao rebaixamento da nota do Brasil e compra título público

11/09/2015

Estrategista do Itaú recomendou Tesouro Prefixado com juros de 15,35% ao ano, enquanto outros profissionais apontaram oportunidades no pós-fixado Tesouro Selic e em IPCA com juros reais

É uma contradição, mas após o rebaixamento do grau de investimento (nota de bom pagador) do Brasil para grau especulativo pela agência de risco S&P, os investidores locais reagiram e aproveitaram as taxas de juros elevadas em títulos públicos federais.
No ambiente doméstico, a percepção é que nenhum agente financeiro acredita que o governo possa dar o calote em sua dívida pública. "O Brasil não é uma Argentina ou a Grécia, essa possibilidade de default [calote] é extremamente improvável, o mercado tem aproveitado o momento para adquirir os papéis com boas taxas", disse o sócio diretor da Escola de Investimentos Leandro & Stormer, Alexandre Wolwacz.
Segundo o sócio e diretor da corretora Easynvest, Marcio Cardoso, a procura por títulos públicos do Tesouro Direto segue elevada. "Estamos captando uns R$ 10 milhões por dia, isso deve atingir algo entre R$ 150 milhões a R$ 200 milhões no mês", respondeu.
Ele considerou que no atual momento pós a perda de grau do investimento atribuída pela S&P, o investidor pessoa física do varejo deveria ficar fora da Bolsa de Valores. "A renda fixa pós-fixada é uma alternativa. O Tesouro Selic está com juros de 14,25% ao ano", lembrou.
Em linha semelhante, o analista Pedro Galdi, da consultoria Whats Call, apontou que para o investidor de perfil mais conservador, a renda fixa segue como o porto seguro e com taxas interessantes. "No Tesouro Direto, há títulos com IPCA mais juros reais de 7,6% ao ano, e prefixados com juros de mais de 15% ao ano", informou Galdi.
O analista desaconselhou aportes em ouro e no dólar. "O ouro subiu muito e ficou menos interessante. O dólar também subiu bastante, mas tem gente falando em R$ 4,40 isso seria apenas uma modalidade para especular", alertou.
No ambiente externo, a desvalorização do real afetou a percepção dos investidores sobre os ganhos com títulos públicos e bolsa de valores no Brasil (queda de 70% em dólar no governo Dilma Rousseff).
Na renda fixa, o estrangeiro que detinha títulos públicos brasileiros em reais em dezembro de 2014 viu seu patrimônio recuar 30,27% em dólar no ano até ontem. Em 12 meses, essa queda em dólar alcança 38,4%.
"O estrangeiro é sofisticado e usa hedge em dólar (proteção) em título público. Na Bolsa, a pontuação do Ibovespa em dólar está abaixo dos 13 mil da crise de 2008, ou seja, o estrangeiro vê que a Bolsa brasileira está muito barata", observou Alexandre Wolwacz.
Relatórios de mercado
Ontem, em meio a repercussão do rebaixamento da nota do Brasil, o portal da Itaú Corretora lembrou aos seus clientes que o título Tesouro Prefixado para 2021 prometia rentabilidade de 15,35% ao ano. "Já a taxa Selic deve permanecer no patamar de 14,25% até, no mínimo, o final de 2016", disse o estrategista Fernando Lutfalla ao informar a revisão pelos economistas do banco das projeções macroeconômicas após a perda do grau de investimento do Brasil pela S&P.
Sobre o ambiente de renda variável, o estrategista salientou aos clientes que em outras duas importantes agências de rating, a Fitch e a Moody‘s, o Brasil ainda possui grau de investimento. "Tendo isso em consideração, sugerimos a escolha de papéis de companhias que tenham exposição ao mercado estrangeiro, gerando receita em dólar, fazendo com que elas se beneficiem de uma possível valorização do dólar. Assim, recomendamos a compra de papéis como Suzano, Brasil Foods e Weg", disse Lutfalla, em relatório da Itaú .
Na consultoria Whats Call, o analista Flávio Conde lembrava que ainda era possível fazer algumas coisas. "Aproveitar a queda de Vale e comprar porque a mineradora tem receita em dólar e preço do minério de ferro resiste aos US$ 55 por tonelada mesmo com economia chinesa piorando", disse.
Conde também sugeria atenção para outras exportadoras. "Embraer que não subiu no ano e seus resultados crescerão bem com dólar acima de R$ 3,60. Brasil Foods que tem 50% da receita em exportação e operações no exterior e suas vendas internas sofrem menos em anos de recessão e desemprego como 2015 e 2016", diz.
Na mesma argumentação apontou compras da Fibria e Suzano porque suas ações subirão junto com o dólar. "Marcopolo é a recomendação de compra menos óbvia porque o mercado só pensa na fraqueza da demanda por ônibus no mercado interna. Porém, se esquece de que 52% da sua receita é ligada ao dólar via exportações e operações no exterior", relatou o analista.

Fonte: DCI