Bolsa

Comentários sobre o Mercado

24/08/2015

  • Os índices de futuros norte-americanos sofreram forte pressão de venda na segunda-feira após uma das maiores quedas semanais de Wall Street desde 2011, causada pelo fato de as ações chinesas terem perdido todos os ganhos de 2015 e após as ações norte-americanas terem fechado a sexta-feira no vermelho, levando a Dow e a Nasdaq a fazer correções.
  • A empresa de energia AGL Resources recebeu uma proposta de aquisição de US$ 12 bilhões da Southern Company.
  • A Telefônica Vivo não está mais disposta a participar da consolidação do número de operadoras de telefonia no país. Quer tocar sua vida, do alto de seus R$ 70 bilhões de valor de mercado, e mira a Sky para ganhar força no que é menor em sua carteira de serviços: TV por assinatura. Em outras palavras, comprar a TIM no modelo tripartite - dividindo com Oi e Claro - não está em seus planos, no cenário atual. A compra da Sky seria uma operação do porte da GVT, entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões. O desejo da Telefônica Vivo, porém, depende de a nova controladora da Sky, a AT&T, decidir o que pretende fazer com a operação brasileira - entrar de vez no país ou sair. Já aquela que seria o alvo óbvio para consolidação, a TIM, quer deixar claro que o Brasil é prioritário na Telecom Italia.
  • Somente três dos sete bancos de médio porte listados na bolsa reportaram lucros maiores no segundo trimestre em relação a igual período do ano passado. Juntas, as sete instituições registraram lucro 43,3% menor que o constatado no ano anterior, um claro contraste com o desempenho dos grandes bancos, cujos lucros continuaram a crescer. De forma geral, os dirigentes de bancos médios argumentam que os ganhos têm sido limitados pela maior cautela em conceder crédito e pelo crescimento das provisões, mas dizem também que estão líquidos e capitalizados o suficiente para atravessar o atual período de crise sem grandes sobressaltos.
  • Apenas um mês após o Ministério da Fazenda anunciar que pretende arrecadar R$ 17 bilhões em dividendos de estatais em 2015, o desempenho dessas empresas dá mais um indício de como será difícil alcançar o montante. Somente no primeiro semestre de 2015, as principais empresas controladas pela União registraram, somadas, lucro líquido de R$ 18 bilhões, queda de 18% na comparação com o mesmo período de 2014. A possível frustração com a receita oriunda das companhias dificulta ainda mais a busca de um superávit primário pelo Tesouro neste ano. O ritmo de arrecadação de dividendos já é consideravelmente menor do que no ano passado. O Tesouro arrecadou apenas R$ 3,4 bilhões das estatais na primeira metade de 2015, valor 70% menor que em igual período do ano passado. Para o governo alcançar os números almejados em 2015, o segundo semestre teria que registar um forte impulso na arrecadação, já que o montante obtido até agora representa apenas 20% do planejado para o ano. Para piorar o cenário, ao menos três empresas devem deixar de fazer pagamentos ao Tesouro em 2015.
  • O grupo Unigel, segundo maior do setor petroquímico no país, espera ter contornado o baque financeiro que o afetou desde a crise global de 2008/2009. Com uma dívida de US$ 450 milhões, fruto de investimentos de expansão e aquisições no Brasil e no México, teve de pôr em marcha um plano de sobrevivência. Ao longo de 2014, o grupo fez uma intensa negociação, durante sete meses, de cerca de US$ 400 milhões de suas dívidas financeiras, profissionalizou a gestão e agora se prepara para uma capitalização. Esse processo pode envolver a venda de ativos, a entrada de um novo sócio e até uma oferta inicial de ações. A família Slezynger, que é dona de 100% do negócio, já admite que pode se desfazer de uma fatia do capital. O banco Rothschild foi contratado para assessorar nesse processo e todas as oportunidades serão avaliadas. Por ora, a única coisa certa é que o momento não é propício para uma oferta de ações e que participações minoritárias em negócios que não são estratégicos são candidatas à venda.
  • A proposta de uma aliança entre Itaú Unibanco e MasterCard para o lançamento de uma nova bandeira de cartões está parada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão antitruste está analisando desde abril o projeto, que prevê um acordo de 20 anos entre as duas empresas e a criação de uma joint venture, controlada pela MasterCard, que vai administrar uma nova marca de cartão. A polêmica em torno do acordo - o que explica a análise minuciosa do Cade - é a possibilidade de que ele acabe por fazer com que o mercado de cartões brasileiro volte a uma situação parecida com a que viveu até 2010. Até então, só as máquinas da credenciadora Cielo (então Visanet) passavam cartões com a marca Visa no comércio, e apenas as da Rede (ex -Redecard), os cartões da bandeira MasterCard. Nessa estrutura, os bancos donos das credenciadoras tinham um incentivo para apenas emitir o cartão com a bandeira capturada pela sua respectiva empresa. Agora o temor é que o mercado fique dividido, de um lado, entre a nova bandeira de Itaú/MasterCard e, do outro, com os cartões da bandeira Elo, que pertence a Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
  • A presidente Dilma Rousseff admitiu ao jornal alemão "Handelsblatt" que o Brasil vive uma crise econômica grave e disse que a recessão no país ainda deve persistir por até 12 meses. Apontando a desaceleração da economia chinesa como um dos responsáveis pelo problema, Dilma disse que o caminho será difícil e que "ninguém passará [pela crise] sem fazer mudanças dolorosas". "O processo de queda do preço das commodities, com os ajustes na China, ainda impactarão a economia mundial por um tempo", afirmou. Para lidar com a questão, Dilma defendeu um aumento nos investimentos - para que o país não dependa mais tanto das commodities- e o controle da inflação. Durante a entrevista, publicada nesta quinta (20), a presidente admitiu que não cumpriu as promessas que fez em sua campanha em 2014 e pediu mais tempo.
  • A construtora Camargo Corrêa vai pagar de forma parcelada o valor de R$ 700 milhões a título de ressarcimento por prejuízos causados à sociedade, conforme informou o Ministério Público Federal (MPF), em nota. Pelo acordo de leniência celebrado entre o MPF e a Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A. em 17 de agosto, conforme a nota, "a empreiteira reconheceu a prática de diversos crimes, inclusive cartel, fraude à licitação, corrupção e lavagem de dinheiro". A maior parte do valor, conforme o MPF, que será paga de modo parcelado e corrigido pela Selic, será destinado às empresas integradas por capital público que foram prejudicadas. Segundo informou, a empreiteira se obrigou ainda a entregar novas informações e a produzir provas sobre os crimes.
  • Uma das vozes mais influentes do empresariado brasileiro, o banqueiro Roberto Setubal faz uma defesa contundente da permanência da presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Impeachment por corrupção, "pelo que vi até agora, não tem cabimento", afirma o presidente do Itaú Unibanco. "Pelo contrário, o que a gente vê é que Dilma permitiu uma investigação total sobre o tema." Outro argumento usado pela oposição, as manobras para melhorar as contas do governo (pedaladas fiscais), podem "merecer punição", mas não são "motivo para tirar a presidente", segundo o banqueiro. Maior banco privado do país, o Itaú foi fortemente hostilizado pelo PT na campanha presidencial de 2014. Na visão de Setubal, tirar a presidente do poder agora "criaria uma instabilidade ruim para nossa democracia". Na semana passada, entidades do setor econômico fizeram manifestações públicas pela estabilidade do país.

Índices

Nome

Atual

%Variação

Dow Jones Industrial Average

15.858,00

-3,70%

S&P 500 Index

1.905,50

-3,35%

Nasdaq Composite Index

3.992,25

-4,96%

Ibovespa

44.088,59

-3,57%

Índices Globais

Japão: Nikkei

18.540,68

-4,61%

China: Shanghai

3.362,83

-8,49%

Hong Kong: Hang Seng

21.251,57

-5,17%

Alemanha: DAX

9.734,79

-3,85%

França: CAC 40

4.416,70

-4,63%

Londres: FTSE

5.939,20

-4,00%

Commodities

Petróleo Bruto WTI (NYM $/bbl)

$38,92

-3,78%

Ouro ($/oz)

$1.160,30

0,06%