Bolsa

Índice de ações americanas listadas no Brasil avança 17,3% no 1º semestre

07/07/2015

Aumento dos juros nos Estados Unidos pode provocar um possível ajuste para baixo no preço dos papéis de companhias negociados em Nova York, fator de risco que merece atenção do investidor

O índice BDRX - que reúne 68 recibos de ações de empresas estrangeiras negociadas no Brasil - avançou 17,3% no primeiro semestre de 2015, impulsionado pela valorização de 15,3% do dólar americano em igual período.
Investidores qualificados (com R$ 1 milhão em investimentos financeiros) e aporte inicial de R$ 10 mil em fundos de investimentos, como o Bradesco FIC BDR Nível 1, obtiveram rentabilidade bruta de 15,47% e ganho de 16,76% no Caixa FIA BDR Nível 1 até 3 de julho último.
Mas quanto ao cenário para o segundo semestre de 2015, o alerta aos investidores é para os efeitos da alta dos juros básicos pelo Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos.
"Desde 2009, o índice Dow Jones da Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) subiu 160%, com a alta dos juros do Fed deverá haver um ajuste [para baixo] nos preços das ações por lá. Dá um pouco de medo comprar agora, mas ainda há BDRs de empresas sólidas para o horizonte de longo prazo", avisa o diretor e sócio-fundador da Escola de Investimentos Leandro & Stormer, Alexandre Wolwacz.
Além dos cotistas de fundos de BDRs, o diretor considera que nos últimos anos, muitos investidores da crescente comunidade brasileira em Miami (na Flórida) começaram a investir diretamente em papéis de empresas americanas. "Era um público que já investia em ações em Brasil, e quando se mudaram para Miami passaram a investir lá em renda variável com custos mais acessíveis em relação ao mercado brasileiro", comparou Wolwacz.
Quantos aos custos para investir diretamente em ações no mercado americano, o professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Silvio Paixão, lembra que a pessoa física deve estar atenta aos fatores de tributação e de intermediação cambial.
"O investidor doméstico tem que fazer [a operação] o câmbio na ida dos recursos aos EUA, e fazer o câmbio no retorno, fora o IOF [Imposto sobre Operações Financeiras] de 0,38%, e a cobrança do imposto de renda (IR) na volta do dinheiro ao Brasil. Lá [nos EUA] há tributação do IR sobre dividendos. É preciso fazer essas contas ", alertou Paixão.
Diante desses fatores, o professor pondera que ainda é preciso estudar onde se irá aplicar o dinheiro. "Se a pessoa física vai entrar num mercado onde nunca operou é preciso fazer um projeto, identificar qual o suporte técnico que terá lá fora, e a confiança, com quem [gestor ou corretor] se está lidando do outro lado".
Na visão de Wolwacz, as BDRs que estão listadas aqui são de grandes empresas americanas e oferecem a oportunidade para o investidor qualificado doméstico diversificarem uma parte de sua carteira de ativos no exterior para o horizonte de médio e longo prazo.
"No momento, as oportunidades de entrada estão no Brasil, o mercado premia mais o risco. A vantagem do mercado acionário americano é a segurança jurídica, não será um canetaço do governo que afetará o preço dos papéis. A incerteza por lá é menor", compara Wolwacz, referindo-se indiretamente ao risco político no mercado local brasileiro.
Segundo o consultor de investimentos e também investidor de ações americanas, Daniel Arruda, as oportunidades de entrada nas bolsas de valores em Nova York podem estar em médias companhias americanas, com tamanho entre US$ 10 bilhões a US$ 15 bilhões de valor de mercado, um porte considerado grande no mercado local brasileiro.
"Isso exige uma análise mais fundamentalista dos papéis e um estudo mais aprofundado sobre o ambiente interno dessas companhias [médias americanas], conhecer sua produtividade, controle de custos e potencial. Nas grandes empresas é difícil encontrar boas oportunidades de valorização", desmistificou o consultor.
Arruda considerou que o principal público brasileiro nas aplicações no exterior ainda são gestores de fundos de investimentos. "Os fundos de pensão brasileiros tem um longo caminho a percorrer em investimento no exterior", disse.
Ao público de pessoas físicas qualificadas, Arruda contou que o mercado americano de corretoras é muito competitivo e trabalha com custos acessíveis. "Alguns home brokers [plataformas eletrônicas de negociação de ações em Bolsa] sequer cobram taxas de corretagem, mas sim, são remunerados com a aplicação do dinheiro que fica parado na conta do investidor", contou.
Mas para o público pessoa física que não conhece muito bem o mercado americano, Arruda lembra da necessidade da "noção‘ [conhecimento] sobre o risco cambial. "O ideal é procurar um bom gestor [de fundo de investimentos] e ter paciência para manter o recurso guardado para o horizonte de longo prazo", considerou.
Gestores brasileiros
Os principais bancos locais possuem carteiras próprias em papéis de grandes empresas americanas. Na liderança em volume, o fundo de BDRs do Bradesco reunia patrimônio líquido de R$ 478,68 milhões em 29 de maio último. Em 12 meses até maio havia acumulado rentabilidade de 51,79%. No ano de 2014, o ganho havia sido de 25,77%, ante a rentabilidade de 48,81% em 2013. A taxa de administração do fundo Bradesco é de 2,5% ao ano.
Na Caixa Econômica Federal, a taxa de administração é de 1,50% ao ano. Em termos de rentabilidade, a carteira da Caixa exibiu ganhos de 14,90% em 2013, de 20,06% em todo o exercício de 2014. Nos últimos 12 meses até maio de 2015 exibiu rentabilidade de 49,79%, enquanto o índice BDRX avançou 58,84%.

Fonte: DCI