Bolsa

Fundo de investimento que protege o capital avança em captação em 2015

09/06/2015

Estoque de Certificados de Operações Estruturadas (COE) aumentou R$ 2 bilhões no ano até final do mês de maio e atingiu o montante de R$ 5,85 bilhões em volume de títulos registrados na Cetip

Mesmo em volume ainda considerado pequeno, os fundos da categoria capital protegido - que protegem o capital inicial investido - tiveram crescimento expressivo e registraram captação líquida de R$ 316,20 milhões no ano até o dia 1º de junho último.
De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), essas carteiras de proteção alcançaram patrimônio líquido de R$ 2,93 bilhões e exibiram ganhos de 10,05% nos últimos doze meses.
E na mesma linha de produtos financeiros que protegem o capital inicial (ou principal garantido), os certificados de operações estruturadas (COEs) tiveram expansão líquida de R$ 2 bilhões no ano até ontem, para o montante de R$ 5,85 bilhões em estoque na Cetip.
"Esses instrumentos são principalmente utilizados para defender o capital em momentos de incertezas. Eles protegem o capital, mas tem uma perspectiva limitada de ganho que não é compensatória no longo prazo. Na minha visão devem ser utilizados apenas para quem precisa de proteção [hedge]", recomenda o professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-MG), Alexandre Galvão.
Na comparação com outros fundos considerados pouco arriscados, as carteiras de capital protegido perderam em rentabilidade para fundos referenciados na taxa de depósito interfinanceiro (DI) que tiveram ganhos de 11,78% em igual período, e para fundos de curto prazo que mostraram ganhos de 11,57% em doze meses até 1º de junho último.
Em contrapartida, os fundos de capital protegido tiveram performance melhor que a média dos fundos de ações. Nos últimos doze meses, as carteiras indexadas ao Ibovespa (papéis mais negociados) apresentaram ganhos de apenas 1,98%, as indexadas ao IBRx-50 (50 maiores empresas) mostraram rentabilidade de 4,05%, enquanto fundos de dividendos tiveram ganhos de 2,73%, e as carteiras que investem em empresas sustentáveis e boa governança, de 3,65%.
Mudança de estratégia
Segundo o sócio-gestor da NCH Capital, James Gulbrandsen, enquanto durar a elevação da taxa básica de juros da economia (a Selic), o investidor local seguirá conservador. "Nos momentos de incerteza é compreensível que o brasileiro esteja buscando uma renda mais garantida e proteja seu capital. Mas quando tiver uma pausa na elevação dos juros deve-se buscar o retorno em equities [ações]", afirma Gulbrandsen.
Ele aponta que a taxa Selic ainda poderá subir nos próximos três ou quatro meses para 14,5% ou até 15% ao ano, mas que depois o cenário deverá mudar. "Quando o ciclo de taxas de juros parar, o investidor terá outras oportunidades, a Bolsa pode melhorar e até surpreender", afirma o gestor.
Na avaliação do professor Alexandre Galvão, a principal questão que o investidor deverá ficar atento nos próximos meses será o posicionamento em pós-fixados ou pré-fixados. "Já tem muita gente trocando as posições de pós-fixados para pré-fixados [para ganhar com a valorização do preço dos títulos]. Hoje um título pré-fixado promete menos ganho que uma LFT [Letra Financeira do Tesouro que é pós-fixada na Selic]", argumentou o professor do Ibmec-MG sobre a mudança de estratégia na renda fixa.
Em maio último, os fundos de investimentos apresentaram captação líquida de R$ 9,5 bilhões, acumulando R$ 22,2 bilhões de entrada de recursos em cinco meses de 2015, conforme o boletim da Anbima divulgado ontem. Os aportes seguiram concentrados em carteiras de curto prazo, referenciados DI e previdência.
"Diante da maior volatilidade no mercado, as carteiras desses fundos vêm sendo direcionadas à aquisição de títulos públicos e operações compromissadas com esses títulos, o que reforça o caráter conservador das aplicações", afirmou a Anbima em boletim mensal de fundos de investimentos.

Fonte: DCI