Bolsa

BM&FBovespa aumenta em até 27% o preço de minicontratos aos clientes

19/05/2015

Receita com derivativos representou 45,9% do faturamento total da BM&FBovespa no primeiro trimestre do ano, enquanto o mercado à vista de ações respondeu por uma participação de 33,9%

A BM&FBovespa aumentou neste segundo trimestre seus preços em minicontratos de derivativos. A receita por mini de índice avançou 27%, de R$ 0,11 para R$ 0,14, e a receita por mini de dólar subiu 20%, de R$ 0,10 para R$ 0,12.
A alteração na política de preços (reajuste) alcança investidores profissionais pessoas físicas e estrangeiros, os principais clientes de minicontratos de derivativos.
"Fizemos uma pesquisa internacional e percebemos que o preço dos minicontratos no Brasil estava muito barato e decidimos equalizar para que esse valor ficasse proporcionalmente igual ao do contrato principal. Lá fora [no exterior] é mais caro negociar 5 contratos mini do que 1 principal", argumentou o diretor de produtos e de relações com investidores (RI) da BM&FBovespa, Eduardo Guardia, em entrevista coletiva sobre os resultados financeiros do primeiro trimestre.
De forma mais didática, um minicontrato equivale a 20% de um contrato principal. Como exemplo, um minicontrato de câmbio, de valor referencial de US$ 10 mil, ou seja, um quinto do contrato principal, cujo valor é de US$ 50 mil.
Para efeito de comparação, na última quinta-feira (14), o segmento de derivativos da BM&F registrou 342,858 mil minicontratos de índices e 120,234 mil minicontratos de dólar, ou seja, juntos proporcionaram uma receita diária aproximada de R$ 62,43 mil.
A estratégia de aprimorar a política de preços em derivativos já trouxe resultados à Bolsa de Valores. A receita média por contrato avançou 13,7% para R$ 1,489 por contrato no primeiro trimestre de 2015, ante R$ 1,309 por contrato em igual período do ano passado.
Guardia explicou que as receitas do segmento também foram beneficiadas pela valorização do dólar nos últimos 12 meses até março último.
Nesse período, a receita por contrato de taxa de juros em dólar aumentou de R$ 1,43 para R$ 1,68, e a receita por contrato de câmbio aumentou do valor de R$ 2,63 para R$ 3,12.
Em números gerais do balanço detalhado na última sexta-feira, a receita com derivativos atingiu R$ 250,9 milhões no primeiro trimestre de 2015, um crescimento de 10,8% em relação a igual período de 2014. Já o segmento de ações (Bovespa) registrou receitas de R$ 218,1 milhões, queda de 0,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.
Estratégia de um dia
Segundo o gestor da corretora Tov Gold, Fabio Obata, mesmo com o reajuste recente de preços, o segmento de minicontratos de derivativos segue em crescimento forte. "Estamos negociando 10 mil minicontratos por dia. O objetivo é alcançar 100 mil contratos por dia até o final do ano", disse.
Obata explicou que a Tov Gold conquistou 500 clientes profissionais pessoas físicas nos primeiros quatro meses de 2015. Ele diz que a corretora dele cobra R$ 0,25 por minicontrato, além dos emolumentos (taxas) à Bolsa de Valores, enquanto sua concorrência cobra entre R$ 0,30 e R$ 1,00 por minicontrato negociado.
O gestor contou que a quase totalidade dos clientes profissionais pessoas físicas preferem negociar os minicontratos de derivativos no sistema de day-trade. "Eles compram e vendem no mesmo dia várias vezes. Tem cliente que entra e sai com um único minicontrato diversas vezes por dia.
Se a operação começa a dar prejuízo, eles zeram a posição na sequência, se gera lucro, eles realizam [fecham a operação com o ganho]", como ele exemplificou. Na prática, diz Obata, essa estratégia de day-trade de 1 minicontrato por vez em múltiplas operações exige menor volume de margens e de garantias. Um mini de índice de ações exige margens mínimas de R$ 100 na Tov Gold e garantias em torno de R$ 3 mil. O mini de dólar exige margem de R$ 150 e garantias de R$ 4 mil.

Fonte: DCI