Bolsa

Volume de aluguel de ações pode cair com possível recuperação da Bovespa

12/05/2015

Giro financeiro em empréstimo de papéis cresceu 27% no ano até abril último para o montante de R$ 62 bilhões, indicativo de que os tomadores esperavam uma correção dos preços para baixo

O volume financeiro em aluguel de ações - atualmente em R$ 62 bilhões - poderá diminuir gradualmente com um possível ciclo de recuperação do principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (o Ibovespa) no médio prazo.
No ano até o fechamento do último mês de abril, o giro total de empréstimo de papéis acionários havia crescido 27% na comparação com o final de dezembro de 2014. a média geral diária avançou de R$ 2,43 bilhões para R$ 3,1 bilhões nesse período.
Mas desde a publicação do balanço auditado da Petrobras no último dia 22 de abril, uma queda de 32,4% no volume de ações alugadas da estatal de petróleo têm puxado a média diária geral desse segmento para baixo.
"Quando aumenta muito o [volume de] aluguel de ações significa que os investidores observam a perspectiva de que a Bolsa vai cair ", diz o fundador da Academia do Dinheiro e especialista em investimentos do Banco Ourinvest, Mauro Calil.
Até 22 de abril último, por causa das incertezas em torno da divulgação ou não do balanço auditado da Petrobras havia muita insegurança dos investidores sobre o mercado acionário brasileiro e os gestores de fundos se posicionaram para uma possível correção de preços das ações, da Petrobras e de outros papéis muito negociados (alta liquidez) para baixo.
O volume de ações alugadas da Petrobras caiu do patamar de R$ 2,487 bilhões em 16 de abril para R$ 1,681 bilhão em 6 de maio último, conforme dados da Socopa Corretora publicados ontem.
Para o diretor da Escola de Investimentos Leandro & Stormer, Alexandre Wolwacz, o "advento" da publicação do balanço auditado da Petrobras já provocou uma tendência "altista" (de valorização) da Bolsa brasileira. "Se essa tendência for confirmada, o aluguel de ações tende a diminuir gradualmente", aponta.
Há dois anos, em abril de 2013, quando o mercado estava mais pessimista com a bolsa de valores brasileira, o volume em aluguel de ações atingiu o recorde histórico de R$ 100,57 bilhões movimentados.
Wolwacz explicou que o segmento de aluguel de ações é formado por dois tipos de investidores, o doador (que possui o papel em carteira) e o tomador (que paga um aluguel pela ação). "De posse do papel emprestado, o tomador vende aquele ativo [na alta] e depois recompra [na baixa] para devolver ao doador. Mas se o papel só subir até o momento da devolução, o tomador pode perder dinheiro. O tomador só ganha com a baixa", explicou.
Na mesma linha, Mauro Calil explicou que a operação de aluguel de ações é bastante simples e pode feita por qualquer pessoa física que carregue sua posição (carteira de ações). "Ainda está concentrado em papéis de mais liquidez (capacidade de negociação rápida), diz o especialista.
Segundo Wolwacz, os papéis mais alugados são da Petrobras, da Vale, de bancos e de outras grandes empresas listadas no Ibovespa. "Isso flutua muito, mas quando a cotação de um papel está próximo de seu topo, a procura por alugar aquele papel aumenta. Nos últimos dias há muita procura por ações da Magazine Luiza e da Marcopolo", exemplificou.
Os gestores de fundos são os principais doadores (40,62% de participação na doação) e tomadores de ações alugadas, seguido por investidores estrangeiros (39,28% de participação na doação), e em menor escala por pessoas físicas que preferem mais receber o aluguel (15,08%), do que tomar papéis emprestados (2,83%).
Como exemplo, Wolwacz diz que o doador recebe pelo aluguel entre 2,5% ao ano e 4% ao ano do valor do papel. "Para a pessoa física que pretende guardar o papel para o longo prazo, ou que não quer se desfazer da sua posição, o aluguel é interessante pois diminui os custos do carregamento", diz.
Em relação ao comportamento dos diferentes públicos de investidores, Wolwacz comentou que o setor de previdência no Brasil, que possui bilhões em ações em suas carteiras ainda são conservadores em alugar seus papéis. "Não é um costume e eles [fundos de previdência locais] relutam em emprestar para que outros apostem na baixa. Não é bem assim que as coisas funcionam na prática", diz.
O setor de previdência tem apenas 1,83% de participação no volume de doação, e zero como tomador, ou seja, não pega papéis emprestados com a expectativa de queda no valor dos ativos no mercado.
Riscos para iniciantes
Mauro Calil acrescentou que o investidor profissional conhece essas estratégias de como ganhar ganhar dinheiro com a baixa do mercado. "O profissional gosta do sobe e desce [volatilidade] das ações. Para o não-profissional (pessoa física iniciante) quando a Bolsa sobe pode ser um péssimo negócio entrar. Há a mentalidade da renda fixa, de que ações vão continuar subindo. Bolsa só para o longo prazo", alertou.

Fonte: DCI