Bolsa

Falta de projetos afetará a emissão de letras de crédito imobiliário em 2015

07/05/2015

Estoque de LCIs registradas na Cetip avançou R$ 5,3 bilhões em abril, crescimento de 3% sobre o mês de março com emissão impulsionada pela demanda por papéis isentos do imposto de renda

A falta de novos projetos no mercado de imóveis (lastro) poderá afetar a emissão de letras de crédito imobiliário (LCIs) pelos bancos. O estoque desses papéis isentos de imposto de renda havia crescido 53% em 12 meses até abril.
Na avaliação dos analistas da agência de classificação de risco de crédito Fitch Ratings, Eduardo Ribas e Jean Lopes, o menor ritmo das LCIs e a queda da captação líquida da caderneta de poupança poderão antecipar a discussão pelos bancos e reguladores (Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários) da implantação da letra imobiliária garantida (LIG).
"A redução da captação de recursos terá impacto sim no ritmo de crescimento do mercado imobiliário. Com isso, a possibilidade de ter um novo instrumento de captação, o covered bond (LIG) no Brasil ficou mais relevante", apontou Eduardo Ribas.
O diretor da Fitch explicou que a LCI só pode ser emitida pelo banco quando há lastro imobiliário, enquanto o formato da LIG ainda está em discussão no mercado. "Sem novos recursos, os bancos terão que puxar o freio do financiamento imobiliário. Isso [o impacto] aparece mais na Caixa. Nos demais bancos, o impacto é menor. Para captar, a Caixa já começou a oferecer taxas mais agressivas em LCIs", disse.
Os dados do estoque de LCIs registradas na Cetip espelham uma forte expansão nos últimos 12 meses até o fechamento 30 de abril último, um aumento líquido de R$ 61,45 bilhões no período para um total de R$ 175,826 bilhões.
Mas por outro lado, as perspectivas novas emissões de LCIs para os demais oito meses de 2015 e para 2016 são ruins. "Se não há projetos imobiliários, não há lastro para as LCIs", resume o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.
Segundo ele, o ajuste na economia e a elevação dos juros [básicos e de mercado] também irão provocar uma menor demanda por imóveis. "Os juros devem alcançar 14,5% ao ano até dezembro. É um processo de desaceleração forçada da economia. Os estoques de imóveis estão altos, o que deve forçar os preços dos imóveis para baixo. Mas no curto prazo, vamos ver mais juros altos no financiamento imobiliário", aponta Perfeito.
Passado esse efeito do ajuste, a retomada do crédito imobiliário poderá ocorrer a partir do segundo semestre de 2016 e início de 2017, avalia o economista-chefe da Gradual.
O diretor executivo da Redpar Empreendimentos, Raphael Scamilla, confirma que o mercado imobiliário passa por um ciclo de menor número de lançamentos (projetos), e que um menor volume de recursos captados por meio de LCIs e da poupança irá encarecer o financiamento imobiliário tanto para incorporadoras e empreendimentos (Plano Empresário) como no crédito para pessoas físicas, os tomadores finais na aquisição de imóveis. "Os bancos estão mais criteriosos no financiamento e analisando os projetos", afirmou.
Efeito Caixa
Para Scamilla, o reflexo da redução dos recursos já é sentido na Caixa, a instituição pública aumentou os juros na modalidade balcão para 9,45% ao ano e reduziu sua participação no financiamento de 90% para 80% em imóveis novos, e para 50% em usados. "Ainda temos demanda para projetos em cidades de até 400 mil habitantes. Mas em metrópoles como São Paulo, os estoques estão muito altos", afirmou.
Em teleconferência de resultados com a imprensa, o diretor de RI do Itaú Unibanco, Marcelo Kopel, disse que sua instituição trabalha com 60% a 80% de financiamento do imóvel. "Isso faz parte do nosso apetite de risco, que nós desenvolvemos de acordo com nosso parâmetro. O fato de a Caixa ter revisado [o limite de financiamento para imóveis usados], não altera nosso apetite de risco", afirmou Kopel.

Fonte : DCI