Bolsa

Fundos mudam sua classificação para atrair clientes da poupança e do CDB

14/04/2015

Bancos de varejo e gestoras de carteiras vão treinar seus profissionais de mercado com os novos nomes dos produtos e buscar a adequação do perfil de risco dos investidores até o dia 1º de julho

Os fundos de investimentos terão uma nova classificação (nomenclatura) a partir do próximo dia 1º de julho. A proposta pretende facilitar (simplificar) o processo de decisão dos clientes por investimentos e atrair aqueles que aplicam em poupança e CDBs.
O objetivo básico é desmistificar a ideia de que o investimento em fundos é muito complicado, quando comparado com instrumentos financeiros mais populares com a caderneta de poupança ou certificados de depósito bancário (CDBs).
"As instituições terão que se preparar. É um processo de indução de educação para quem vai utilizar essa informação [gestores, gerentes de investimentos e profissionais de mercado]. A informação chegará ao investidor passo a passo", aponta o vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Carlos Massaru.
Após três anos de trabalho que envolveram mais de 200 profissionais do mercado de fundos, a Anbima aumentou o número de classificações das carteiras, de 29 para 38 categorias. "Mas não se pode fazer essa comparação [do aumento do número de categorias], é outro processo mais simplificado", pondera o também vice-presidente da Anbima, Carlos Ambrósio.
Na prática, segundo a Anbima, a nova estrutura orienta a decisão do investidor por um determinado fundo por meio de uma lógica baseada no processo de investimento.
"A decisão [do investidor] é em etapas, e em cada escolha, se leva para um caminho, reduzindo suas opções", explicou o superintendente da Anbima, José Carlos Doherty.
Como exemplo para explicar, Doherty disse que o gestor ou profissional do mercado [ou gerente de investimentos que atende o cliente na rede bancária ou gestora] questionará o investidor com três perguntas. "O que ele pretende fazer com o dinheiro? Qual o apetite de risco? E quando irá precisar do dinheiro?", explicou José Carlos Doherty.
Com esse novo processo de escolha, a Anbima busca atender uma série de orientações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM, a autarquia fiscalizadora do mercado) em sua instrução recente nº 555.
"Existem investidores que já vão dominar essas mudanças em D+0 [no mesmo dia]. Outros vão demorar um pouco mais. (...) Mas todas as gestoras tem estar adequadas até o final do ano. Se não cumprir há multas e será chamado [pela Anbima ou CVM] a cumprir. A classificação terá que constar do Formulário de Informações Complementares, documento criado pela ICVM nº 555. A nova classificação vai permitir uma comparação melhor entre fundos de uma mesma categoria", diz Ambrósio, apontando ganhos ao investidor com a transparência das informações (competição).
Questionado por jornalistas sobre os benefícios aos cotistas das carteiras com a nova classificação, Massaru apontou que o investidor conseguirá estabelecer seu horizonte de curto, médio ou longo prazo. "O investidor ganhará em planejamento financeiro", apontou.
Novos nomes
Entre os exemplos das mudanças em fundos de renda fixa previstos pela legislação da CVM (e os preferidos do varejo), a alteração da classificação das categorias poderá trazer novos nomes para fundos hoje conhecidos como de curto prazo ou referenciados na taxa de depósito interfinanceiro (DI). Nesse caso, eles poderão ser conhecidos como fundos renda fixa de ativos de baixa duração (até 21 dias) de crédito soberano, 100% em títulos públicos federais, ou com até 80% de bom risco de crédito.
Mas também haverá a classificação para fundos de renda fixa com ativos de média duração (até 2 anos), com ativos de alta duração (mais de 3,5 anos) e com ativos de livre duração.

Fonte: DCI