Bolsa

Alta dos juros básicos incentiva renda fixa entre os produtos das corretoras

Antes focadas apenas no mercado de ações, instituições dedicaram investimentos para fidelizar os clientes com outras alternativas de investimentos como LCIs, LCAs, CDBs e letras de câmbio

O movimento de alta da taxa básica de juros (Selic) deve continuar incentivando o desenvolvimento do segmento de produtos de renda fixa nas corretoras de valores, antes, no passado, dedicadas apenas à corretagem com ações.
"O aumento da taxa de juros atrai novos investidores à renda fixa. Não é por acaso que estamos observando o crescimento em aplicações em títulos públicos no Tesouro Direto e na renda fixa privada como certificados de depósito bancário (CDBs), letras de crédito imobiliário (LCIs), letras de crédito do agronegócio (LCAs) e letras de câmbio", diz o analista da Wintrade, Felipe Villegas.
Entre os exemplos dessa evolução de produtos financeiros de renda fixa nas antigas casas exclusivas de ações, na corretora Socopa, o volume negociado em CDBs do Banco Paulista aumentou 66% até fevereiro último, enquanto o número de clientes na aplicação avançou 49%, ante igual período de 2014.
"Começamos essa atividade com CDBs em maio de 2012, quando o limite de cobertura do FGC [Fundo Garantidor de Crédito] ainda era de R$ 70 mil", lembrou o gerente de home broker [plataforma eletrônica] da Socopa, Rogério Manente.
Na avaliação do diretor do Easynvest, Amerson Magalhães, o salto da performance da renda fixa nas corretoras ocorreu após o alteração do limite da cobertura do FGC para R$ 250 mil, ocorrido em maio de 2013. "O aumento do limite do FGC foi fundamental para dar mais segurança aos clientes em relação ao risco de crédito dos papéis privados. Firmamos convênios com instituições financeiras que possuem uma taxa competitiva em relação aos grandes bancos de varejo", disse.
Magalhães contou que na Easynvest a custódia de títulos privados de renda fixa já representa 25% do estoque de papéis, que somados ao percentual de 30% da custódia do Tesouro Direto representam um montante superior ao do estoque em ações.
Hoje, a plataforma Easynvest disponibiliza produtos financeiros como debêntures negociadas na BM&FBovespa, debêntures incentivadas de infraestrutura, letras de câmbio, LCIs, LCAs e CDBs. "Todo mundo ganha, o emissor ou banco que capta recursos, a corretora que distribui, e o cliente que obtém um rentabilidade melhor e acesso fácil a esses produtos", afirmou.
Ele contou que o ticket de entrada nessas aplicações de renda fixa privada está em torno de R$ 3 mil. "Num grande banco de varejo, o acesso a uma LCI ou LCA exige um aporte inicial entre R$ 20 mil e R$ 30 mil", exemplificou.
Na Socopa, entre os investimentos alternativos à renda variável também estão os fundos imobiliários. "Mesmo com o aumento dos juros, o segmento de fundos imobiliários exibiu um crescimento de 44% no volume e de 19% no número de clientes", contou Manente sobre o desempenho em 12 meses até fevereiro último.
Ainda no segmento de títulos públicos do Tesouro Direto, o volume cresceu 24% na Socopa enquanto o número de clientes da corretora aumentou 10% no período comparativo de um ano.
Em dados gerais do mercado, entre 2013 e o início de 2015, o número de clientes cadastrados no programa de compra e venda de títulos públicos pela internet (Tesouro Direto) ganhou 120 mil novos participantes, enquanto a Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) teve uma redução de 21 mil clientes pessoas físicas em igual período.
Nos últimos anos desde a crise mundial de 2008, a própria BM&FBovespa teve que equilibrar seu perfil de receitas, antes originadas apenas dos segmento de ações (Bovespa) e de derivativos (BM&F). Hoje, a instituição incentiva os negócios com títulos públicos (Tesouro Direto) e papéis privados como as letras de crédito do agronegócio (LCAs), CDBs, debêntures em ofertas públicas, e fundos imobiliários e recebe receitas com a custódia e demais serviços.
"Na Socopa, nossa base de ações continua forte, crescemos 23% em volume, e 6% em número de clientes, mas o avanço da renda fixa é maior", compara o gerente.
Segundo Felipes Villegas, da Wintrade, o desenvolvimento de produtos de renda fixa foi útil para fidelizar a base de clientes de ações. "É um conceito de shopping center financeiro, o cliente não precisa sair da corretora quando deseja ficar fora no mercado de Bolsa. Temos outros produtos para oferecer", argumentou.
Villegas contou que até os investidores estrangeiros também estão aportando recursos em renda fixa no Brasil. "A participação dos estrangeiros em títulos públicos cresceu", disse. De fato, segundo dados do Tesouro, o percentual dos estrangeiros no estoque de títulos públicos subiu de 16,10% em dezembro de 2013 para 20,21% em janeiro de 2015.
Acesso facilitado
Para atrair novos investidores em renda fixa, a Socopa lançou o cadastro simplificado de clientes. "O prazo de cadastro recuou de uma semana, para no máximo, um dia. O melhor caso foi em uma hora. É um cliente diferente do investidor de Bolsa", diz o gerente de home broker, Rogério Manente. A concorrente Easynvest também possui cadastro facilitado.

Fonte: DCI