Bolsa

Fundo multimercado macro lidera os ganhos e rende até 39,6% em 3 anos

10/02/2015

Gestores de carteiras que utilizam estratégias de acordo com o cenário macroeconômico acertam suas posições e garantem rentabilidade aos investidores em ambiente considerado desafiador

A categoria de fundos multimercados macro liderou em rentabilidade nos últimos 36 meses, com ganhos de 39,6%. Em janeiro último - essas carteiras que utilizam estratégias de acordo com o cenário macroeconômico - registraram 1,78% de valorização.
"Os gestores dessas carteiras acertaram o cenário. Muitos desses fundos estavam comprados [ganhos com a alta de um determinado ativo] no câmbio, e o dólar subiu. É muito difícil prever como ficará o câmbio daqui para a frente, mas os juros de 10 anos nos Estados Unidos continuam subindo", considerou o sócio diretor da gestora Queluz Investimentos, Luiz Augusto Monteiro.
Ontem, a taxa de juros em títulos de 10 anos nos Estados Unidos estavam sendo negociados a 1,93% ao ano, enquanto há uma semana pagavam juros de 1,80% ao ano. "O aumento dos juros nos Estados Unidos fornece condições para a apreciação do dólar americano em relação as demais moedas", diz.
Em boletim da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) divulgado ontem, além da boa performance da categoria multimercado macro, outro destaque foi a valorização da categoria Renda Fixa Índices de Preços, que tiveram rentabilidade de 1,97% em janeiro.
"A inflação veio bastante alta nesse período, e houve queda das taxas de juros futuros [no mercado doméstico]. No caso das NTN-Bs [Notas do Tesouro Nacional série-B] de longo prazo, quando o preço desses títulos público recua, a taxa [de juros] sobe, e vice-versa", disse Monteiro. Em 36 meses até janeiro último, a categoria Renda Fixa Índices de Preços rendeu 32,9%.
Em seu boletim de renda fixa divulgado ontem, a Anbima citou a possibilidade de alguma influência dos fundos de pensão na valorização das NTN-Bs, os papéis públicos que compõem boa parte das carteiras Índices de Preços.
"É possível que a valorização das NTN-Bs também seja efeito da entrada em vigor, em janeiro, da nova regra de precificação do passivo dos fundos de pensão que vincula a meta atuarial das carteiras à uma taxa baseada no retorno dos últimos três anos da NTN-Bs [Res. CNPC nº 15, de 24/11/14], o que, a princípio, pode ter induzido a um aumento na demanda por esses títulos", disse Marcelo Cidade, da Gerência de Estudos Econômicos da Anbima.
Estratégia mais curta
Na avaliação da relações com investidores da Guide Investimentos, Olívia Paganini, os gestores de fundos estão trabalhando atualmente com estratégias mais curtas e capturando ganhos aos cotistas num horizonte de prazo menor. "Antes, uma estratégia demorava seis meses, agora está bem mais curta", disse.
Em relação às perspectivas para os próximos meses, Olívia diz que o investidor moderado e arrojado deve ter bastante claro seu horizonte de investimentos e seu perfil de risco. "Muitas vezes, o investidor pensa que possui um perfil mais arrojado, mas quando aplicamos uma avaliação, ele se revela bem mais conservador do que se imaginava. Há oportunidades em diversas categorias de investimentos, mas a pessoa física precisa entender sua capacidade de suportar riscos [perdas]", avisou.
Na mesma linha, Monteiro orientou que o investidor de perfil conservador pode aplicar em fundos referenciados na taxa de depósito interfinanceiro (DI). "O Banco Central já subiu os juros [de mercado] e ainda deve subir um pouco mais", apontou o gestor. A categoria referenciada DI rendeu 0,94% no mês de janeiro e 30,6% nos últimos 36 meses.
Se o perfil é de aceitar mais riscos, Monteiro orienta que o investidor pessoa física deve buscar conhecer o seu gestor. "Temos um ambiente de muita volatilidade [sobe e desce dos ativos], por isso, é importante conversar e conhecer o gestor, entender o cenário, e saber se o profissional de mercado está comprado [estratégia para ganhos na alta de determinados ativos] em Bolsa de Valores, ou comprado em dólar", disse.
Captação fraca
Mesmo com a boa rentabilidade nas diferentes categorias de fundos multimercados e de renda fixa em horizontes de curto, médio e longo prazo, a captação líquida (entrada de recursos) ficou bem abaixo do potencial esperado.
Na visão de Olívia Paganini, o noticiário negativo pode ter feito o investidor postergar suas decisões. "Ele espera para ver o que vai acontecer, e isso é ruim. Mas no Brasil, se costuma dizer, que o ano só começa depois do carnaval. Para nossa sorte, em 2015, o carnaval é bem mais cedo", comentou.
Segundo o boletim da Anbima, a captação líquida dos fundos de investimento, dado o tamanho trilionário do mercado, ficou próxima de zero, entrada de R$ 22,5 milhões. No destaque por categoria, os fundos mais conservadores (curto prazo) registraram entrada de R$ 9 bilhões, e os de ações, saída de R$ 900 milhões.
"A incerteza provoca fuga para aplicações conservadoras. Há preocupação com a inflação alta e o racionamento de água e de energia. Mas para o longo prazo, alguns fundos de ações podem performar melhor", aponta Monteiro.

Fonte: DCI