Bolsa

Renda fixa deve concentrar captação de fundos em 2015, dizem analistas

06/01/2015

Juros em 11,75% no começo do ano e expectativa de que subam mais nos próximos meses tornam esse tipo de aplicação atraente, com bons retornos e riscos menores para os investidores

Diante do cenário de taxas de juros básicos da economia em elevação - Selic em 11,75% ao ano atualmente - os profissionais do mercado projetam que os fundos de renda fixa serão destaque em rentabilidade no decorrer deste ano.
A justificativa está baseada na expectativa do mercado de que a taxa Selic possa alcançar 12,5% ao ano no exercício e depois se estabilize próximo desse patamar até que a inflação reverta sua curva de alta (próximo de 6,5% ao ano) e se direcione gradualmente para o centro da meta do governo, de 4,5% ao ano.
"Em termos de rentabilidade, 2015 será o ano da renda fixa. Vamos trabalhar com fundos de gestão ativa em crédito privado que possam projetar ganhos entre 103% e 104% do CDI [certificado de depósito interfinanceiro]", aponta o vice-presidente de investimentos da SulAmérica, Marcelo Mello.
Em 2014, o destaque ficou para os fundos mais conservadores e de liquidez diária (capacidade de resgate rápido) referenciados em juros pós-fixados do mercado, a chamada taxa de depósito interfinanceiro (DI) atualmente em 11,6% ao ano. Essas carteiras atraíram mais de R$ 40 bilhões de captação líquida e apresentaram rentabilidade bruta média próxima de 11% nos últimos doze meses.
Ao se considerar um desconto de 20% do imposto de renda (IR) sobre ganhos de capital em aplicações entre 180 dias e até 360 dias, esses fundos DI exibiram ganhos líquidos de 8,8% em um ano, enquanto a caderneta de poupança rendeu 7% em igual período, resultado da remuneração líquida de 6,17% ao ano mais a taxa referencial (TR), calculada da variação dos 20 principais certificados de depósito bancário (CDBs) emitidos por instituições financeiras. "Tivemos um 2014 muito volátil para renda fixa, papéis indexados à inflação, prefixados, dólar e ações na Bolsa de Valores", resumiu.
Além das oportunidades de juros mais altos em fundos de renda fixa, o superintendente da Mapfre Investimentos, Carlos Eduardo Eichhorn, diz que o investidor deve considerar o cenário de aumento dos juros nos Estados Unidos em 2015. "Os juros americanos devem subir até meados de 2015. Já estamos posicionados para esse movimento. Os fundos multimercados juros e moedas podem aproveitar essa subida dos juros internacionais e do dólar", disse.
Para os investidores com horizonte de longo prazo, 10 anos, o vice-presidente da Mapfre Previdência , Eduardo Freitas aponta maior rentabilidade e o crescimento das carteiras de previdência renda fixa devido as vantagens tributárias. "A volatilidade vai diminuir. A indicação de uma equipe econômica comprometida com o ajuste fiscal traz uma expectativa mais positiva", disse Freitas. Ele lembrou que os fundos de previdência são alternativas para clientes que visam o longo prazo.

Fonte: DCI