Bolsa

BNDES incentivará grande empresa a criar fundo próprio em participações

11/11/2014

Embraer e Totvs seguem caminhos das grandes multinacionais de tecnologia e formam carteiras de venture capital voltadas a desenvolver inovação via fatias em pequenas empresas e startups

A exemplo dos países desenvolvidos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende fomentar junto às grandes empresas brasileiras a criação de fundos de venture capital para aportar recursos em pequenas inovadoras e startups.
"Entre 80 a 100 empresas brasileiras possuem estrutura para formar seus fundos de corporate venture e prospectar tecnologia e inovação em suas cadeias produtivas. Iremos incentivar essa prática das corporate ventures por meio do relacionamento do BNDES", apontou o chefe do departamento de fundos de investimentos do BNDES, Leonardo Pereira dos Santos, após participar ontem do 1º Congresso Brasileiro de Venture Capital, em São Paulo.
O executivo explicou que menos de uma dezena de grandes empresas brasileiras possuem fundos de corporate venture, mas que essa realidade tende a melhorar com incentivos de diferentes agentes financeiros, como o BNDES, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e agências de fomento.
Entre as iniciativas locais citadas no congresso estão os fundos recentes da Embraer, da Totvs, da Locaweb, do Buscapé e da Natura. As multinacionais Intel e Qualcomm também já atuam no Brasil com a experiência trazida de outros países. O Qualcomm Ventures investe globalmente entre US$ 100 milhões e R$ 150 milhões por ano, com aportes entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões por empresa.
O Intel Capital, por exemplo, possui mais de US$ 10 bilhões em investimentos em mais de 1,4 mil empresas em 54 países. "É o mesmo modelo do Vale do Silício. No Brasil, estamos desde 1999, na prática, estamos no 3º fundo aqui, com retorno satisfatório e bastante emoção", disse ontem o diretor da Intel Capital no Brasil, Ricardo Arantes, aos participantes do congresso.
Na avaliação de Leonardo Pereira dos Santos, do BNDES, o incentivo a fundos corporativos pode produzir resultados produtivos na economia. "Um ecossistema que reúna investidores, universidades e empresas pode criar um ciclo virtuoso e aumentar muito a base de investimentos", diz.
Entre os exemplos recentes, o fundo de corporate venture da Embraer captou R$ 131 milhões em recursos originados da própria companhia e também do BNDES, da Finep e da agência de fomento Desenvolve SP. Essa carteira deve começar a desembolsar esse capital a partir de 2015 em pelo menos 10 projetos de tecnologia aeronáutica e de defesa aérea.
"Além do fundo da Embraer, estamos desenvolvendo fundos de capital semente para pequenas inovadoras, de biotecnologia que pode ter um corporativo de fármacos, e um fundo multicorporate [com várias empresas], exemplo na cadeia de energias renováveis", diz Santos, do BNDES.
O diretor de fomento e crédito da Desenvolve SP, Julio Themes Neto, contou que além da participação no fundo da Embraer, que a agência de desenvolvimento também atua desde 2012 com o fundo de Inovação Paulista, uma parceria da Finep, da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e do Sebrae-SP para aportar recursos em empresas inovadoras. "Agências de desenvolvimentos dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul também estão estruturando iniciativas semelhantes", apontou Neto.

Aporte médio

Conforme pesquisa divulgada pela professora do Insper, Andrea Minardi, e atualizada até outubro de 2014, o aporte médio em venture capital é de cerca de US$ 2 milhões por participação investida. É um aporte pequeno quando comparado a média de US$ 70 milhões do segmento de private equity voltado para participações em companhias já consolidadas no mercado.
Andrea Minardi contou que no período entre 2006 a 2014, esses fundos que adquirem participações societárias em empresas tiveram taxas de retorno superiores a dois dígitos por ano. "Estou otimista com essa indústria", disse Andrea.

Contraponto dos juros

Mas por outro ângulo, o gerente de investimentos em participações da Finep, Augusto Ferreira da Costa Neto, contou que na última chamada (concorrência) para fundos da Finep, que a quase totalidade dos gestores fizeram propostas de IPCA mais 6% ao ano. "Parece uma base muito frágil para tentar atrair investimentos para o longo prazo. Títulos públicos estão pagando isso", diz.

Já o vice-presidente da Abvcap, Clovis Meurer, diz que os gestores internacionais seguem otimistas com o Brasil. "Somente nos últimos meses foram 4 anúncios, cada um dos grandes players levantou mais de US$ 1 bilhão", respondeu.

Autor: Ernani Fagundes
Fonte: DCI