Bolsa

Captações com DRs voltam a crescer

10/11/2014

Todo mundo sabe que o Alibaba captou US$ 25 bilhões em seu IPO, em setembro. O detalhe é que não eram ações, e sim recibos de ações: American depositary receipts (ADRs). Para os bancos depositários, como BNY Mellon, Citi, Deutsche e J.P. Morgan, a oferta do site chinês é, sem dúvidas, uma excelente propaganda.

Contudo, em razão do recente aumento do volume captado via DRs, eles podem se dar ao luxo de tirar a empresa da lista, para que o gigantismo não distorça a estatística. No primeiro semestre, 41 captações globais por meio de recibos totalizaram US$ 9,1 bilhões, montante bastante superior ao arrecadado no mesmo período de 2013: US$ 3,6 bilhões. Desde 2011, o mercado de DRs vinha decaindo. Naquele ano, foram captados US$ 14,8 bilhões em 51 operações; em 2012, 31 ofertas totalizaram US$ 12,6 bilhões.

No ano passado, embora o número de captações tenha sido igual ao de 2011, o volume foi menor (US$ 10,4 bilhões). A maioria das captações com recibos de ações em 2014 veio da China e da Rússia, seguidas pelo Brasil. Em abril, a Oi levantou US$ 1,1 bilhão por meio de ADRs — e foi a única empresa local a se aventurar no uso de DRs em 2014. "Passou a época em que os investidores queriam investir no País. Agora, as empresas brasileiras têm que fazer um esforço de venda. É um processo natural em economias emergentes mais maduras", disse à capital aberto Christopher Kearns, CEO da divisão de DR do BNY Mellon.

Na visão de Kearns, o baixo crescimento da economia brasileira e a incerteza trazida pelas eleições constituem o principal motivo tanto para o baixo número de IPOs na bolsa local como para a baixa emissão de recibos fora do Brasil. De acordo com ele, algumas empresas nacionais desistiram de emitir DRs este ano por causa do cenário desfavorável, mas devem retomar os planos em 2015.

Autor: Bruna Maia Carrion
Fonte: Revista Capital Aberto | Edição 135 | Novembro de 2014 > Captação e Bolsa de Valores
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