Bolsa

Finep incentivará novas empresas de educação para que abram seu capital

29/10/2014

Fórum de Abertura de Capital promovido pela Bolsa de Valores de São Paulo e a Financiadora de Estudos e Projetos já levou seis companhias ao mercado e levantou R$ 2,6 bilhões em recursos

Além do foco em empresas de TI, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) pretende incentivar as pequenas e médias companhias inovadoras do setor de educação à abertura de capital no segmento de acesso da Bolsa de Valores, Bovespa Mais.

"A inovação tecnológica é a principal prioridade da Finep. O setor de educação está mais ativo na adoção de tecnologias de ensino à distância e devemos incentivar esse segmento no mercado de capitais", apontou o gerente de investimento em participações da Finep, Augusto Ferreira da Costa Neto, após participar ontem do 9º Fórum de Abertura de Capital, na sede da Bolsa de Valores, em São Paulo (BM&FBovespa).

No evento de ontem, a Finep apresentou mais 5 pequenas e médias empresas inovadoras aos investidores, corretoras de valores e fundos de private equity (de participações em empresas), sendo 2 do setor educacional (Damásio, Eduinvest), 2 de tecnologia (Datora e MXT) e 1 de saúde (Plena Saúde).

Ao longo das edições anteriores em parceria com a BM&FBovespa foram 31 empresas apresentadas ao mercado. Dessas, 6 empresas abriram capital no Novo Mercado, 1 no Bovespa Mais e as demais receberam aportes de fundos de private equity. "Ao todo, essas empresas receberam aportes de R$ 2,6 bilhões", afirmou o diretor executivo de produtos e relações com investidores da BM&FBovespa, Eduardo Guardia.

Costa Neto lembrou que a Finep possui uma carteira de 110 empresas investidas através de 32 fundos de investimentos em participações (FIPs) com mais de R$ 1 bilhão em capital comprometido. "Nessa semana estamos fazendo nossa 15ª chamada de fundos", avisou Costa Neto sobre a etapa atual de inscrições.

Ele contou que dentro do FIP Inova Empresa, que possui R$ 500 milhões em recursos, a Finep deve selecionar as duas primeiras companhias até o final de 2014. "Estamos na fase de prospecção de empresas, os recursos devem atender entre 8 a 12 companhias", apontou Costa Neto.

Futuros IPOs potenciais

Entre as 5 empresas apresentadas ontem aos investidores, a Eduinvest pretende captar até R$ 60 milhões em recursos nos próximos dois anos via fundos de private equity e depois acessar a Bolsa de Valores.

O Grupo Eduinvest já possui 3,5 mil alunos em três colégios, o Anhembi Morumbi, no Brooklyn em São Paulo, e os colégios Anchieta e Politec, em São Bernardo do Campo.

Em porte maior, a Damasio Educacional - que possui 50 mil alunos em cursos preparatórios, de graduação e pós-graduação - busca entre R$ 60 milhões a R$ 100 milhões em investimentos nos próximos dois anos. "Somos líderes em cursos preparatórios para o certificado da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] e com a tecnologia de ensino a distância via satélite e on-line estamos chegando a salas presencias em 234 cidades médias no Brasil", disse o presidente da Damasio, Thiago Sayão.

A Damasio já possui sociedade com o fundo de private equityVictoria Capital Partners desde 2008. "O fundo tem 54% de participação e horizonte de dez anos a doze anos", disse Sayão. Com os novos recursos a serem captados no mercado, a Damasio pretende adquirir até 8 novas unidades presenciais e alcançar 300 cidades com educação a distância. Hoje, possui 4 unidades presenciais, 2 em São Paulo, em Brasília e no Rio de Janeiro.

Já o diretor administrativo da Plena Saúde, Roberto Ranieri Sobrinho, busca recursos para expandir o atendimento a nova classe média da região metropolitana de São Paulo. "Faturamos R$ 105 milhões no ano passado. Temos 50 mil vidas, 2 hospitais e 3 clínicas na região noroeste da cidade", diz.

Para Luciano Bordon, da consultoria Grant Thornton, o potencial para pequenas e médias abrirem capital na Bolsa está próximo devido aos incentivos recentes. "As empresas precisam se preparar em governança corporativa e ter uma auditoria externa. Esse é um processo que pode levar de dois a três anos", orientou.

Autor: Ernani Fagundes

Fonte: DCI