Bolsa

Bancos aumentam taxas de fundos voltados para o pequeno aplicador

23/10/2014

Estudo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade diz que tarifa acima de 1,5% não compensa ao investidor que faz aporte inferior ao valor de R$ 1 mil

A taxa média de administração cobrada das pessoas físicas por bancos de varejo em fundos de investimentos referenciados na taxa DI subiu de 3,18% ao ano em 2013 para 3,24% em 2014 na faixa de aportes iniciais até R$ 1 mil.
Os dados sobre o aumento das tarifas cobradas em fundos DI no varejo são do último relatório de taxas de administração da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e atinge carteiras com recursos somados de R$ 16,5 bilhões, com custos acima de 2% ao ano.
"Para o pequeno aplicador que possui menos de R$ 1 mil, a melhor aplicação continua sendo a caderneta de poupança. Qualquer taxa acima de 1,5% ao ano em fundos DI não compensa", alerta o diretor executivo de estudos e pesquisas econômicas da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira.
Por esse critério, nenhum dos oito fundos DI disponíveis nos grandes bancos de varejo destinados para aportes iniciais inferiores a R$ 1 mil oferecem ganhos melhores que a caderneta de poupança.
O fundo popular Santander Classe DI, para aportes a partir de R$ 1 cobra taxa de administração de 5% ao ano, e na sequência o Bradesco FIC Referenciado DI Hiperfundo, a partir de R$ 100 possui taxa de administração de 3,9% ao ano.
Segundo a assessoria de imprensa do Bradesco, como justificativa ao custo mais alto, o Hiperfundo possui sorteios de prêmios aos investidores. Em nota de imprensa, o Santander esclareceu que o Santander FIC FI Classic Referenciado DI tem o propósito de remunerar os recursos parados em conta corrente no curtíssimo prazo. "Além disso, o cliente pode optar por aplicar a partir de R$ 1 e se beneficiar do resgate automático", disse.
A gestora do Banco do Brasil possui três carteiras voltadas aos pequenos aplicadores, o BB Referenciado DI Social, a partir de R$ 50 trabalha com taxa de 2,60% ao ano; o BB Referenciado DI LP, a partir de R$ 200; e o BB Referenciado DI de R$ 500 iniciais com tarifa de administração de 2%.
No segmento de aporte inicial a partir de R$ 500, o Bradesco DI Brilhante cobra taxa de 2,5% ao ano, e o Itaú Uniclass DI Super possui taxa de 2% ao ano. Em aporte menor, de apenas R$ 100, a Caixa Econômica Federal possui tarifa de gestão de 2% ao ano.
Segundo o professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Gilberto Braga, o investidor pessoa física deve comparar as taxas entre os bancos.
"No curto prazo, a taxa de administração mais elevada e custo maior com o imposto de renda (IR) deixa o ganho líquido inferior ao da poupança. Mas se ele tiver um horizonte de investimento maior que 2 anos pode compensar pois a alíquota do IR cai para 15%", argumentou Braga, condicionando esse rendimento ao atual patamar de juros.
Nos últimos doze meses até 17 de outubro último, os fundos referenciados na taxa DI tiveram rentabilidade bruta de 10,6% (sem desconto do IR), enquanto a caderneta de poupança rendeu 6,98% líquido no período de doze meses.

Autor: Ernani Fagundes
Fonte: DCI