Bolsa

Agente autônomo gira negócios em renda fixa

16/10/2014

Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Valores autorregula e certifica a categoria de profissionais de mercado independentes para superar a crise de clientes do mercado de ações

Diante do menor número de clientes pessoas físicas no mercado de ações, os agentes autônomos de investimentos certificados estão voltando suas atividades para produtos de renda fixa para completar seus ganhos comissionados por corretoras de valores.
Segundo o agente autônomo vinculado à XP Investimentos, Leandro Ruschel, as receitas com a distribuição de produtos de renda fixa aos clientes mais que dobraram de 2013 para 2014. "A renda fixa representava entre 5% e 10% de nosso faturamento no ano passado, e agora são 20%", quantificou Ruschel.
"Hoje, os agentes autônomos ajudam a distribuir fundos de investimentos, letras de crédito imobiliário [LCIs], letras de crédito do agronegócio [LCAs], certificados de depósito bancário [CDBs] e os títulos públicos do Tesouro Direto. Nesses papéis do mercado de renda fixa, os grandes colocadores têm sido corretoras independentes e seus agentes autônomos", afirma o presidente da Associação Nacional de Corretoras e Distribuidoras de Valores (Ancord), Carlos Alberto Botelho de Souza Barros.
O presidente da entidade também apontou que a Ancord está "trazendo" o segmento de debêntures de infraestrutura para a distribuição via agentes autônomos de investimentos certificados. "Nos próximos anos, as debêntures incentivadas devem ganhar bastante espaço nas carteiras dos investidores", prevê.
Souza Barros lembrou que a atividade de agente autônomo sofre desde 2009 com os reflexos da crise financeira mundial no mercado de ações brasileiro. "Até muito pouco tempo, o agente autônomo era muito identificado à atividade de renda variável. O número de agentes autônomos caiu nesse movimento de pouca procura pelo mercado de ações", disse.
Mas desde que a Ancord assumiu a autorregulação da atividade em 2011 com a autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), as corretoras têm buscado a certificação dos agentes e alternativas para revigorar a categoria.
"Mais de 32 mil pessoas já passaram pelos cursos da Ancord, sendo que em torno de 14 mil foram aprovados para exercer a atividade. Isso não significa que todos estejam atuando hoje. São cerca de 5,5 mil profissionais certificados credenciados, mas os vinculados a corretoras e distribuidoras somam 2,8 mil, os que estão exercendo a atividade", diz. Aos interessados, o curso de certificação de agentes autônomos da Ancord dura sete sábados, das 8h30 às 18h.
Eixo Rio- São Paulo
Segundo Souza Barros, a atividade ainda é muito concentrada em São Paulo e no Rio de Janeiro, e em menor grau em Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre. Leandro Ruschel contou que faz parte de uma equipe de 5 agentes que atendem clientes em mais de 200 cidades. "Do nosso volume, 60% são concentrados em São Paulo, mas também crescemos no interior do Rio Grande do Sul e no Mato Grosso", disse.

Autor: Ernani Fagundes
Fonte: DCI