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Congresso do IBGC debaterá criação de valor e administração de estatais

13/10/2014

Instituto Brasileiro de Governança Corporativa reúne seus associados para desenvolver temáticas sobre boas práticas no ambiente empresarial e conhecer experiências internacionais de sucesso

Ofuscados pela forte presença do Estado na economia nos últimos anos, os principais executivos de companhias brasileiras abertas e fechadas irão debater a criação de valor e a necessidade de boas práticas de governança na administração pública e em estatais.

Entre hoje (13) e amanhã (14), os associados do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) se reúnem em seu 15º Congresso, em São Paulo, com o objetivo de criar mais valor aos seus negócios e à sociedade.
"A empresa não deve criar valor apenas para o curto prazo e para si, mas sim se orientar para o longo prazo e criar valor a todas as partes interessadas e à sociedade de forma sustentável", apontou a presidente do IBGC, Sandra Guerra, em entrevista.
Ao mesmo tempo, após desenvolverem uma série de orientações de governança corporativa que envolvem práticas de transparência nos negócios voltados ao setor privado nos últimos anos, os associados do IBGC agora também vão tratar de questões relacionadas a administração pública e as estatais.
Em outras palavras, a entidade que já reúne mais de 1,5 mil associados, entre conselheiros de administração, executivos do primeiro escalão de empresas de capital aberto e fechado (presidentes e diretores), sócios e herdeiros de grandes grupos familiares, e especialistas em diversas área do conhecimento quer discutir quais os modelos de governança pública possam garantir um Estado mais eficiente e que promova o desenvolvimento sustentável de nossa economia e sociedade.
Num dos painéis de amanhã (14), chamado Governança do Brasil S.A., os associados vão interagir com os debatedores Marcos Castrioto Azambuja, embaixador do Brasil, e com o economista e especialista em contas públicas, Raul Velloso.
Na avaliação de Sandra Guerra, a discussão sobre a governança na administração pública e nas estatais tornou-se muito relevante no atual momento, e sua entidade pode "endereçar" o estabelecimento de orientações e boas práticas sobre essa questão num documento da sua entidade intersetorial até 2016.

Iniciativa internacional

Entre os principais temas que serão tratados no congresso, Sandra contou que a professora emérita de empresas de direito empresarial da Universidade de Cornell Law School, Lynn Stout, trará um painel que discutirá o mito da primazia da criação de valor apenas para o acionista. "Quando a empresa só olha para o curto prazo, ela desconsidera fatores importantes e de sustentabilidade dos negócios para o longo prazo", diz Sandra.
O congresso ainda deverá tratar da importância da prática de Relato Integrado, que considera seis diferentes capitais para monitoramento de riscos e de oportunidades pelas companhias abertas e fechadas - capital financeiro, manufatureiro, conhecimento, relacionamento, natural e humano. "Há um interesse grande pela prática de Relato Integrado, 12 empresas brasileiras já participam do programa piloto, e o Brasil está empatado em 2º lugar junto com a Holanda nessa iniciativa, só superado pelo Reino Unido", informou.
Como exemplo dessa prática de monitoramento utilizada no Relato Integrado, Sandra contou que em "capital humano", um ambiente melhor nas empresas atrai e retém mais talentos. "O investimento em pessoas oferece mais retorno no longo prazo", argumentou.
Entre as experiências globais, o congresso local terá uma apresentação da presidente da Corporate Secretaries International Association (CSIA), Carina Wessels, sobre o funcionamento das secretarias de governança corporativa e suas principais atribuições, e os casos de sucesso ao redor do mundo.

Desenvolvimento privado

Num breve histórico, Sandra contou que o desenvolvimento das boas práticas de governança corporativa surgiu no início do milênio, a partir da contenção dos grandes escândalos corporativos nos países desenvolvidos, e que a evolução se aprofundou após a eclosão da crise mundial de 2008.
"No século passado, só exigia uma governança de fachada, não era robusta. E hoje entendemos que a ausência de governança pode destruir valor nas empresas", alerta Sandra.

Autor: Ernani Fagundes
Fonte: DCI