Bolsa

Período eleitoral movimenta negócios diários com instrumentos financeiros

09/10/2014

Clear Corretora aponta aumento do número de pessoas físicas profissionais de mercado de ações que utilizam diariamente operações estruturadas em opções, termo e aluguel de papéis na Bolsa

A especulação em torno da corrida presidencial no Brasil está movimentando o número de negócios com instrumentos financeiros mais sofisticados como opções e termo em ações na Bolsa de Valores e atrai pessoas físicas profissionais (traders) ao giro diário.
"No ano passado, nessa mesma época, estávamos atendendo apenas 200 traders [investidores frequentes], agora são 500 traders, é pessoa física que vive de operar diariamente na Bolsa", diz o analista da Clear Corretora, Raphael Figueiredo.
De fato, a Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) tem batido recordes históricos de negociação nos últimos meses, impulsionada sobretudo por notícias e especulações sobre as eleições presidenciais.
No pregão da última terça-feira (7) que teve giro financeiro de R$ 10,9 bilhões, uma fatia de R$ 638 milhões (6% do mercado à vista) foi movimentada por meio de instrumentos financeiros mais complexos como termo em ações, opções de compra sem ações, opções de venda sem ações, opções de compra de índice de ações e opções de venda de índice de ações.
"O perfil desse cliente pessoa física é de quem conhece muito bem essas ferramentas e seus riscos elevados. O trader utiliza bastante tecnologia e robôs [programas de ordens automáticas] para montar suas estratégias", diz Raphael Figueiredo.
Entre as estratégias mais utilizadas por esses investidores de curto prazo estão travas de alta (limitar o ganho fazendo a venda para realizar o lucro), travas de baixa (limitar a perda quando o preço de um ativo recua), borboleta (combinação de travas de alta e de baixa), e aluguel de ações com opções, que serve como instrumento para proteção (hedge) para queda do preço de ações.

Mudança de estratégia

Figueiredo contou que entre os meses de março e até o início de setembro, esse público profissional estava operando mais a ferramenta termo de ações, aproveitando um movimento direcional de alta do mercado.
"Mas, de um mês para cá, a estratégia mudou, e o trader está preferindo mais o BTC [aluguel de ações], pois ficou bom para quem aposta na queda da Bolsa de Valores, e o mercado vem realizando [vendendo ações]", disse.
O analista contou que as opções mais utilizadas devido ao período eleitoral são as da Petrobras, e em menor grau, as opções do Banco do Brasil. "Outras opções tem menor liquidez [capacidade de negociação rápida]", esclareceu.
Segundo dados do boletim diário da Bolsa de Valores, as 10 ações mais emprestadas para outros investidores se protegerem da baixa são - Oi PN, Ogx ON, Bradesco PN, PDG Realt ON, Petrobras PN, Ambev ON, CSN ON, Itaú PN, Vale PNA e BM&FBovespa ON.

Riscos elevados

O professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Alexandre Espírito Santo, alertou para o risco de investidores mais jovens e inexperientes perderem muito dinheiro utilizando esses instrumentos mais sofisticados. "O jovem se encanta e acha que pode ficar rico na Bolsa. Ele precisa conhecer bem o mercado de ações primeiro, buscar conhecimento em cursos, para depois, com a experiência, começar a operar", orientou. "Ele pode perder tudo num único dia", diz.

Autor: Ernani Fagundes
Fonte: DCI