Bolsa

Dólar e ações devem apresentar forte volatilidade até fim do segundo turno

07/10/2014

O principal índice de renda variável da BM&FBovespa fechou em alta de 4,72% ontem após disparar 8% com a confirmação do candidato Aécio Neves na disputa pela Presidência

A Bolsa de Valores e o mercado de câmbio devem apresentar forte volatilidade nas próximas três semanas até a conclusão dos resultados do segundo turno da corrida presidencial brasileira. Ontem, o Ibovespa disparou 4,72% e o dólar à vista recuou 1,78%.
A reviravolta no primeiro turno das eleições presidenciais em 5 de outubro último desfavorável à candidata Marina Silva (PSB) e levando o candidato Aécio Neves (PSDB) à disputa do segundo turno com a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) animou os investidores de curto prazo (especuladores) na Bolsa de Valores local.
O principal índice de ações - o Ibovespa - chegou a subir 8% na máxima de 58.897 pontos ontem para depois fechar em 57.115,90 pontos. No sinal contrário, a moeda americana fechou cotada no balcão em R$ 2,429.
"A alta das ações foi generalizada, são poucos os papéis que não sofrem qualquer influência das eleições. Praticamente nenhuma empresa deixa de ser influenciada pela escolha do governo", diz o analista da Coinvalores, Bruno Piagentini.
Segundo o economista da TOV Corretora, Pedro Paulo Silveira, um levantamento do mercado aponta que uma eventual vitória de Dilma pode levar o Ibovespa aos 46 mil pontos (possível queda de 19,5%), enquanto uma possível vitória de Aécio pode impulsionar o indicador para os 72 mil pontos, um potencial de valorização de 26%.
No ano, até ontem, a máxima do Ibovespa é de 61.895 pontos e havia ocorrido em 2 de setembro último quando a candidata Marina Silva liderava as pesquisas num eventual segundo turno. Já a mínima do ano é 44.965 pontos de 14 de março, quando as pesquisas eleitorais iniciais apontavam uma vitória de Dilma no primeiro turno.
Ontem, o contrato futuro de Ibovespa com vencimento em outubro chegou a 60.045 pontos, e fechou no ajuste diário em 57.600 pontos. Já o contrato para agosto de 2015 aponta pontuação de 62.500 pontos.

Repercussão imediata

"As projeções estão sendo refeitas, toda a estrutura de riscos e de preços mudou com o resultado do primeiro turno. Mas é corrente que Aécio é o candidato pró-mercado e que defende o tripé econômico - ajustes nas contas públicas, metas de inflação e câmbio flutuante", disse.
Na visão do sócio diretor da Easynvest, Marcio Cardoso, é impossível quantificar essa alta do Ibovespa, mas há uma corrente de opinião.
"Se der Aécio, a Bolsa vai subir. Ele terá um prazo para apresentar suas propostas, e a Bolsa talvez até suba um pouco menos por causa de algum impacto externo. Mas, se for a Dilma a vitoriosa, o Ibovespa tende a cair, e se ela continuar em seu atual discurso, o cenário externo vai pesar mais", apontou Marcio Cardoso.

Risco de curto prazo

Os profissionais de mercado são unânimes em apontar que haverá forte volatilidade na Bolsa de Valores e no câmbio nas próximas três semanas, à medida que forem surgindo novas pesquisas eleitorais, debates entre os candidatos e a formação de alianças políticas.
"Somente o investidor de curto prazo que atua diariamente e conhece bem esses riscos, talvez possa aproveitar algumas oportunidades. Para o cliente do longo prazo, o alerta é que serão semanas de muita volatilidade e a procura deverá ser por empresas sólidas e com bons fundamentos", orienta o analista da Coinvalores.
Silveira, da TOV, diz que o investidor de perfil de longo prazo tem a opção nesse momento de maior nervosismo nos mercados de aportar recursos no Tesouro Direto. "Para quem não quer correr risco de mercado, a LFT [Letra Financeira do Tesouro] é um título público federal atrelado a taxa básica de juros Selic, pós-fixada, é a aplicação mais segura no momento", orientou. Quanto à cotação do dólar, Silveira ponderou que o câmbio no Brasil nunca foi flutuante. "Mesmo quando o tripé econômico funcionava [no segundo governo Fernando Henrique e no primeiro mandato do Lula], era um bipé. O Banco Central sempre atuou no mercado para diminuir os excessos", lembrou o economista.
A perspectiva é de alta do dólar por causa do aumento dos juros nos Estados Unidos até meados de 2015. "Mas num primeiro momento, a subida de Aécio provoca apreciação."

Recordes na Bolsa

A BM&FBovespa informou ontem que atingiu a marca histórica de 1.779.282 negócios no mercado de ações (segmento Bovespa). O segmento BM&F, também esteve movimentado, o contrato futuro de Ibovespa registrou o recorde de 28.001 negócios, e o minicontrato futuro de dólar obteve recorde de 32.906 negócios.

Autor: Ernani Fagundes
Fonte: DCI