Bolsa

Setor de private equity nacional quer atrair novos recursos em Nova York

03/10/2014

Número de negócios por fundos internacionais no Brasil caiu 35% no primeiro semestre de 2014 em comparação com igual período do ano passado, o menor resultado para o período desde 2009

Hoje, em Nova York, nos Estados Unidos, o setor de private equity brasileiro se reúne com investidores internacionais para formar contatos e buscar mais recursos para investimentos em participações de empresas no Brasil, mas as expectativas são modestas.
"Falo apenas pela DGF Investimentos, e estou muito decepcionado com o atual cenário. Voltamos à salinha de espera e o Brasil está novamente entre os emergentes sem emergência, e vamos ter que esperar um pouco mais. Não temos condições de captar em 2015, pois seria um momento ruim para captar, talvez só em 2016", apontou o diretor da gestora de fundos de private equity DGF Investimentos, Sidnei Chameh, também ex-presidente da entidade do setor no Brasil.
Chameh contou no que no fórum Third Annual Private Equity in Brazil, promovido pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), em Nova York, a motivação será por reforçar os contatos e manter as portas abertas ao Brasil.
"Nosso último fundo captado teve participação de 85% de investidores nacionais e de 15% de investidores estrangeiros. Eles vão querer saber o estamos fazendo no Brasil e o que vamos fazer com a economia brasileira caminhando mais devagar", argumentou o executivo.
‘Não obstante a esse cenário, os grandes fundos internacionais seguem captando recursos para mercados emergentes. O crescimento no Brasil não é mais excepcional, mas é melhor que a Europa", completou Chameh.
Os últimos dados da Associação de Private Equity para Mercados Emergentes (Empea) confirmam que os gestores de fundos internacionais executaram 19 ofertas no Brasil no primeiro semestre de 2014, o menor número registrado nos primeiros seis meses do ano desde 2009.

Gestoras internacionais

Segundo o Empea, o número de investimentos em private equity feitos na América Latina declinou 26% no primeiro semestre desse ano. "Em parte devido a um primeiro tempo [semestre] lento para o Brasil, onde 35% menos negócios foram executados em comparação com igual período de 2013", informou a associação em seu último relatório.
O Empea calculou que excluindo o Brasil da região, o recuo nos demais países da América Latina foi de 6%. Mas avaliou, que o volume de capital investido no Brasil cresceu 15% no primeiro semestre para US$ 859 milhões, impulsionado pelo aporte de US$ 572 milhões do fundo global Kohlberg Kravis Robert (KKR) na compra da empresa brasileira Aceco TI, da área de data centers.

Desânimo doméstico

Para o sócio da Heartman House Consultores, Diego Báez, que fará uma das apresentações técnicas aos investidores em Nova York, a percepção é que os agentes brasileiros estão mais pessimistas que os estrangeiros.
"Os investidores locais não estão olhando com bons olhos o crescimento aqui, já os internacionais estão um pouco menos confiantes, mas com um humor um pouco melhor que os nacionais", diz Báez.
O executivo diz que os estrangeiros separam a performance do Brasil do restante da América Latina, e nos comparam com outros emergentes. "O Brasil é mais comparado com outras economias dinâmicas da África e países da Ásia e sudoeste de Pacífico, os grandes mercados emergentes", argumentou o sócio da consultoria.

Fonte: DCI
Autor: Ernani Fagundes