Bolsa

Fundo cambial perde atratividade na proteção contra a elevação do dólar

24/09/2014

O euro comercial avançou 0,65% ontem, mas apresenta queda de 4% desde o início de 2014. Já a cotação do dólar segue em valorização em setembro e mostra alta de 2,8%

Diferentemente de outros períodos de disparada do dólar, como 1999 e 2002, fundos cambiais estão com a captação líquida contida em 2014, com a entrada de apenas R$ 728,93 milhões até 18 de setembro último. Ontem, o dólar à vista subiu 0,54% para R$ 2,408.
Na avaliação de especialistas no mercado de câmbio, os fundos de investimentos em moeda estrangeira perderam espaço para outros instrumentos financeiros como contratos a termo em agências bancárias, minicontratos futuros de dólar na Bolsa de Valores, opções de compra em moeda estrangeira, contratos de swap (troca) cambial oferecidos por bancos, e até mesmo para pequenas compras em lojas autorizadas em dólar turismo.
"Hoje, o investidor possui diversas alternativas para se proteger da alta e da baixa em moedas estrangeiras. Com o equivalente a US$ 2 mil se faz um contrato a termo numa agência bancária", exemplificou o professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Ricardo Stefani.
Custo de administração
Outro detalhe apontado são as taxas de administração cobradas pelos bancos de varejo em fundos cambiais com baixo ticket de entrada.
No exemplo de aporte de R$ 1 mil, o Bradesco FIC Cambial Dólar tem custo de 3% ao ano, Santander Cambial cobra taxa de 2,5% ao ano, o BB Cambial Dólar LP Mil possui taxa de 1,5% ao ano, e o Caixa Fic Cambial Dólar possui o menor custo para essa faixa de aporte, com 1% ao ano.
No segmento de varejo alta renda, o Itaú Personalité Cambial Dólar possui taxa de 1,5% ao ano, mesma tarifa do concorrente Bradesco Prime Fic Cambial Dólar. Já o HSBC Fic Cambial Dólar, com ticket de entrada de R$ 2 mil atende com taxa de 3% ao ano.
Motivos da alta
Segundo o economista e diretor executivo da corretora NGO, Sidnei Nehme, nas últimas duas semanas há uma pressão especulativa no mercado à vista da moeda americana. "O cenário eleitoral serve apenas para alimentar a especulação, mas não tem fundamentos. Independentemente de quem estará no próximo governo, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) ou Aécio Neves, o câmbio levará mais de um ano para ser repensado, o Brasil precisa reconquistar a confiança do investidor internacional para atrair recursos".
Na visão dele, o principal motivo para a alta do dólar em relação a diversas moedas pelo mundo é a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de elevar os juros no próximo ano. "Entrou dinheiro de curto prazo no Brasil e esse capital começa a retornar para a base, o mercado americano", diz Nehme. As estimativas apontam um volume de US$ 28 bilhões entre aplicações na Bolsa de Valores brasileira e em títulos públicos federais (dívida do governo).
Riscos e apostas na baixa
O diretor lembrou que o Banco Central (BC) brasileiro já alimentou o mercado doméstico com US$ 96 bilhões em contratos de swap (troca) cambial, e que os bancos e instituições financeiras estão com uma posição vendida (proteção contra a baixa) de US$ 16,5 bilhões.
"As operações de swap dão um alívio no mercado futuro, mas na realidade, o mercado à vista está com um fluxo muito ruim, há carência de um fluxo de entrada de dólares mais intenso. E nesse segundo semestre, as captações de empresas serão menores", diz. Nehme aponta o dólar em R$ 2,45 no final de 2014, e ao mesmo tempo vê queda do euro até 2015.


Autor: Ernani Fagundes
Fonte: DCI