Bolsa

Fundos de ações registram retornos elevados em agosto

23/09/2014

Com alta de 9,78% do Ibovespa, os fundos de ações foram o destaque da indústria no mês de agosto. De acordo com o Panorama ANBIMA de setembro, vale observar que os tipos Ações Livre e Ações Ibovespa Ativo, cujos mandatos contam com maior liberdade para a composição de suas carteiras, registraram rentabilidade inferior ao índice, embora, em janelas maiores de tempo, o retorno desses fundos superem o do Ibovespa, evidenciando a consistência dos resultados de longo prazo. No campo de renda fixa, destacam-se o tipo Renda Fixa Índices, com alta de 2,61%, em parte por conta da valorização dos títulos públicos indexados ao IPCA. Já os fundos multimercados também se beneficiaram com a alta nos mercados de renda fixa e variável, com destaque para o tipo Estratégia Específica, que apresentou os maiores retornos da categoria entre os fundos com patrimônio líquido representativo em agosto (2,25%).

No segmento renda fixa, as oscilações dos principais indicadores do mercado financeiro ganharam força na passagem do mês de agosto para setembro, com destaque para a elevação dos juros e da taxa de câmbio. Esse movimento foi impulsionado pelas indefinições do cenário eleitoral, pelo fraco desempenho da economia e pelas expectativas dos agentes quanto ao período e ao ritmo do aperto da política monetária nos Estados Unidos. A boa rentabilidade das aplicações em títulos públicos em agosto, refletida nas carteiras teóricas do IMA e de seus subíndices marcadas a mercado, sofreu forte reversão no início de setembro. O IMA B 5+, composto pelas NTN-Bs com vencimento superior a cinco anos, e que havia sido o destaque no mês passado, acumula queda de mais de 4% em setembro. Apesar da piora do cenário de juros, se observou a recuperação do volume de negócios no mercado secundário de títulos públicos federais. Esse movimento vem se mantendo neste início de setembro, com destaque para as NTN-Bs, que registraram média diária de negócios 5% superior a do último mês.

A desaceleração das captações com títulos de renda fixa pelas companhias brasileiras foi o movimento que mais chamou atenção no mercado de capitais. No período, o volume de ofertas de dívida alcançou R$ 3,5 bilhões, com grande participação das notas promissórias, títulos de prazos mais curtos, que responderam por quase metade das captações (R$ 1,8 bilhão). Entre os demais instrumentos, as debêntures apareceram em segundo lugar, seguidas dos CRIs e FIDCs. No ano, as emissões com instrumentos de renda fixa chegam a apresentar um moderado crescimento em relação ao mesmo período de 2013 (R$ 70,3 bilhões versus R$ 62,6 bilhões), mas, na mesma base de comparação, as notas promissórias cresceram 47,3% e já passam a responder por 20,2% do total das captações com instrumentos de renda fixa até agosto. O elevado nível dos juros e o cenário de incerteza trouxeram impactos no perfil das operações de renda fixa. Em 2014, cresceram as participações das debêntures atreladas ao DI, inclusive das expressas em percentual do DI (39,8% do total), e dos ativos com prazos de até três anos (38,1% das debêntures emitidas no ano).

Fonte: Anbima