Bolsa

Pós sinalização do Fed, mercado local espera realização de lucros na Bolsa

22/09/2014

Empate técnico entre Marina Silva e Dilma Rousseff em pesquisa Datafolha leva Ibovespa à queda de 0,55% na sexta-feira, enquanto a cotação da moeda americana subiu 0,55% em relação ao real


Após a sinalização do Federal Reserve (Fed - o banco central americano) de elevar os juros nos Estados Unidos até meados de 2015, o mercado local espera realização de lucros na Bolsa de Valores brasileira diante do cenário de incerteza na corrida presidencial.

Entre os efeitos imediatos do anúncio do Fed, o dólar avançou 6,25% no mês até a última sexta-feira para a cotação de R$ 2,378. Ao mesmo tempo, o Ibovespa, influenciado por incertezas eleitorais, recuou 5,71% no mês, para 57.788,70 pontos.
"Nos últimos meses houve muita entrada de capital estrangeiro especulativo no Brasil na Bolsa de Valores e em títulos públicos federais. Com a decisão do Fed de elevar os juros lá fora, esse dinheiro tende a ir embora num movimento de realização de lucros", diz o presidente da Magliano Corretora, Raymundo Magliano Neto.

O executivo explicou que enquanto os juros estavam baixos nos Estados Unidos havia muito capital disponível para investimentos em países emergentes como o Brasil. "Nunca antes na história do mundo houve tanto dólar em circulação, e boa parte dele entrou no Brasil, o Ibovespa subiu e o governo fechou suas contas", disse.

Aporte de curto prazo

Em 2014, até o último dia 17 de setembro, o saldo de entrada de recursos de investidores estrangeiros na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) era de R$ 17,629 bilhões, sendo R$ 2,804 bilhões no mês atual.
No mercado de títulos públicos federais, os estrangeiros aumentaram sua participação percentual no estoque de 16,10% em dezembro de 2013 para 18,52% em julho de 2014. Um aumento de posição de R$ 59 bilhões em sete meses do ano para o montante de R$ 385,67 bilhões.

"Entrou muito dinheiro de curto prazo em renda fixa [títulos públicos e privados] e em renda variável [ações]", confirma o sócio-diretor da Easynvest, Marcio Cardoso.

Cenário pós-eleições

Na opinião pessoal de Cardoso, se o atual governo permanecer para o próximo mandato, o mercado trabalha com um cenário mais negativo. "O ministro [da Fazenda] Mantega deu uma entrevista [na sexta-feira] dizendo que nada muda na economia. Vai ser negativo num primeiro momento, até o governo perceber a necessidade de um ajuste fiscal", argumentou o diretor.

Como exemplo, Cardoso lembrou que os juros vão permanecer baixos na Europa e no Japão, enquanto devem subir nos Estados Unidos. "Eles tendem a colocar o dinheiro onde acham mais seguros".

Já Magliano Neto diz que as incertezas eleitorais não se esgotam com a contagem dos votos do segundo turno. "Num eventual novo governo [de Marina Silva ou de Aécio Neves], o mercado irá quer saber quem será a equipe de governo e as possíveis medidas e mudanças nos cem primeiros dias", diz.

Orientação

O presidente da Magliano diz que o investidor local que conseguiu ganhos recentes na Bolsa de Valores deve "realizar" seu lucro, ou seja, vender os seus papéis valorizados para de fato aferir os ganhos.

"Ele pode sair de parte do investimento em ações e aplicar em juros DI [depósito interfinanceiro]. Se o juro [pós-fixado] subir você está junto, e se cair, você está junto com todo mundo também", sugeriu Magliano Neto.

Quanto ao reflexo da alta do dólar nos papéis das empresas exportadoras, o executivo também orientou os investidores de ações a conversarem com seus analistas. "É preciso ter muito cuidado nessas escolhas e considerar a ajuda de analistas. É bom separar o joio do trigo, e saber se a empresa exporta mais para a Europa, ou para a China. Se for exportar mais para os Estados Unidos, talvez seja um bom negócio".

Cardoso, da Easynvest, também diz que é necessário cuidados com o setor exportador. "Vai depender de cada empresa. Atualmente, o cenário macroeconômico e político é mais importante que as questões micro, de um determinado setor da economia", alerta o sócio diretor da corretora.

Autor: Ernani Fagundes
Fonte: DCI