Bolsa

Fundo multimercado tem saída de R$ 18,4 bi

22/09/2014

Carteiras com estratégias em juros e moedas registram rentabilidade de 6,9% no ano até 12 de setembro último

Ofuscado pela rentabilidade das aplicações de curto prazo em juros pós-fixados (DI), os fundos multimercados - voltados ao horizonte de médio prazo - registram saída líquida de R$ 18,45 bilhões no ano até 12 de setembro último.

"Na média do mercado, a rentabilidade de multimercados multiestratégia está abaixo do DI em 2014, mas olhando um período de tempo maior, de 24 ou 36 meses, essas carteiras conseguem ganhos bem acima do DI. O investidor precisa esperar um pouco mais para que a estratégia de seu gestor produza resultados", diz o diretor de gestão da Quantitas Asset Management, Rogério Braga.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que os ganhos médios de 6,43% no ano da subcategoria multiestratégia, que reúne R$ 340 bilhões em recursos ou 67,4% do patrimônio de R$ 504 bilhões da categoria multimercados, de fato, estão abaixo da remuneração de 7,43% do DI no período.

Médio prazo

Em contrapartida, em 36 meses até o final de agosto último, essas carteiras multiestratégia exibem rentabilidade de 35,4% contra 30,5% do DI em igual período de comparação. Outras subcategorias também apresentam rentabilidades melhores em 36 meses como multimercados macro com 42,1% e trading com 35,8% nos últimos 3 anos.

"Em multimercados nunca há uma explicação única, as estratégias são as mais diversas, algumas posições são opostas a outras, muitas estão com desempenho melhor que o DI, outras não. Mas no início de 2014, o mercado tinha expectativa de uma alta maior do dólar, e essa alta não veio como se esperava, agora [setembro] é que subiu um pouco mais, e isso influencia nas posições dos gestores", explicou o diretor da Quantitas.

Como exemplo dessa diferença de performance, Braga contou que a carteira multiestrategia de sua gestora, o FIC Unique apresenta ganho de 11,25% no ano até 17 de setembro. "É muito superior a média do mercado". A carteira com R$ 2,23 milhões em patrimônio possui taxa de administração de 1,5% ao ano e taxa de performance de 20% sobre o que superar o benchmark DI.

Confiança na equipe

Para a head (responsável) da área de fundos de fundos da XP Gestão, Patrícia Stille, o investidor de multimercados precisa aguardar que a estratégia de sua equipe de gestão produza os ganhos. "A equipe de gestão precisa de um horizonte maior para mostrar os resultados", aconselhou. Como conceito de educação financeira ela diz que o cotista deve investir de forma consciente. "Ele precisa saber mais sobre o fundo que investe", diz.

Cenário eleitoral

Braga aponta que os principais fatores macroeconômicos que irão influenciar as carteiras multimercados são eleições presidenciais no Brasil e a elevação dos juros nos Estados Unidos em 2015. "Há uma tendência mais otimista com a oposição crescendo nas pesquisas, e o contrário, sobre a continuidade do atual governo, também é verdadeiro", diz.

Em linha semelhante, Patrícia, da XP Gestão, diz os gestores estão lendo todo o cenário atual, olhando o que está acontecendo para formular estratégias nas carteiras.

"No momento há muita movimentação no mercado de juros, a eleição mexe muito com as expectativas sobre juros, há um movimento de abertura das taxas [alta]. 2015 será um ano de ajustes na política fiscal e em preços administrados pelo governo [energia, gasolina]. Há a possibilidade de alternância do poder e de um BC [Banco Central] mais técnico e independente", argumentou.

Opções e derivativos

O diretor da Quantitas explicou que - diferentemente de outros fundos tradicionais - os gestores de carteiras multimercados possuem bastante flexibilidade para operar com diversos instrumentos financeiros. "A diversificação pode ser Bolsa, juros, inflação, moedas. Ele pode operar comprado [ganho na alta] ou vendido [ganho na baixa] e pode utilizar outros instrumentos como opções e derivativos. É destinado para investidor que aceita mais risco que a renda fixa, mas que ainda está atrelado ao DI", disse Rogério Braga.

Autor: Ernani Fagundes
Fonte: DCI