Bolsa

Fundo imobiliário encerra perda e sobe 3,3%

18/09/2014

Das 87 cotas de carteiras de investimentos em imóveis acompanhadas pela Planner, 17 exibem desvalorização em 12 meses e 60 já apresentam ganhos

Apesar da concorrência com os juros altos nas aplicações em renda fixa, a maioria das cotas de fundos imobiliários listados no índice Ifix da Bolsa de Valores recuperaram suas perdas dos últimos 12 meses e já mostram valorização de 3,3% em 2014 até ontem.

"O grande inimigo do fundo imobiliário é o juro alto. Quando os juros baixarem, as cotas vão subir. Esses fundos que foram lançados há dois anos com a cota lá no alto, quando os juros subiram, a cota caiu", argumentou o diretor de gestão do Banco Máxima, José Costa Gonçalves.

O diretor explicou que quando os juros sobem, o investidor se questiona se vai comprar uma cota de fundo imobiliário que dá 10% ao ano líquido, se é possível encontrar uma renda fixa que renda 12% ao ano. "O inverso também é verdadeiro", disse Gonçalves depois de participar ontem da primeira reunião do fundo Máxima Renda Corporativa com a Associação de Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais (Apimec).

Dados fornecidos pelo analista Ricardo Tadeu Martins, da Planner Corretora, mostram que de 87 carteiras listadas, 17 estão com perdas no valor da cota nos últimos 12 meses.

Renda de aluguéis

Quanto ao retorno dos proventos nos últimos 12 meses, o mapa da Planner indica que a quase totalidade das carteiras exibe ganhos entre 7% e 12%. Como exemplo divulgado ontem na Apimec, o Máxima Renda Corporativa apresentou ganhos líquidos de 9,50% ao ano aos seus 86 cotistas.

Para 2015, após a renovação do contrato de locação por mais 10 anos, esse rendimento oriundo do aluguel do imóvel à locatária varejista Leader, do grupo BTG Pactual, tende a ser de 10,38% ao ano, com base no patrimônio atual de R$ 41,57 milhões. "O aluguel mensal ficou 346 mil [R$ 4,152 milhões ao ano] mais a correção anual pelo IGP-M. A locatária irá pagar metade do aluguel anual no mês de janeiro", esclareceu o gestor Thomas Magalhães.

Novo fundo em 2015

O diretor José Costa Gonçalves aponta que a Máxima pode estruturar um novo fundo imobiliário em 2015 com ativos na faixa de R$ 50 milhões. "Nossos clientes são tradicionais, gostam de investir em tijolos. É um projeto que temos e já estamos conversando", disse.

Estreia na Bolsa

No ano, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) registra 12 ofertas públicas de fundos imobiliários com volume de R$ 4,567 bilhões. Ontem, o Infra Geral Estate, da Infra Asset, com patrimônio de R$ 300 milhões teve suas cotas listadas para compra e venda na plataforma de negociação da Bolsa de Valores (BM&FBovespa).

Segundo o prospecto, o Infra Geral Estate distribuíra 95% dos rendimentos obtidos na carteira. Além dos custos de manutenção e de administração dos imóveis e dos papéis imobiliários em carteira, há uma taxa de performance de 20% no que exceder a variação da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 7% ao ano.

Autor: Ernani Fagundes
Fonte: DCI