Bolsa

Cotista resgata R$ 13 bilhões de fundo vinculado a índice de preços em 1 ano

10/09/2014

Carteiras de investimentos com títulos públicos e privados, que pagam juros reais mais a variação da inflação oficial medida pelo IPCA, registram ganhos expressivos desde o último mês de junho

Mesmo com a rentabilidade média de 12,99% nos últimos 12 meses até 3 de setembro último, os fundos de investimentos da categoria renda fixa índice de preços - que pagam juros reais mais a inflação - registram o resgate líquido de R$ 13, 05 bilhões.

Na avaliação de profissionais de mercado, o investidor brasileiro de perfil conservador ainda não está acostumado com a volatilidade dos preços de mercado das Notas do Tesouro Nacional Série-B (NTN-Bs), os títulos públicos federais que compõem essas carteiras e são vinculados a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Como exemplo dessa volatilidade expressiva, ao final de janeiro de 2014 os chamados fundos Ima-B apresentavam perdas de 12,78% em 12 meses, e agora, no último mês de agosto reverteram os prejuízos e alcançaram rentabilidade de 14,79% em um ano, uma volatilidade de 27,5 pontos percentuais em apenas sete meses corridos.

Os ganhos recentes foram formados principalmente desde junho. Dados do relatório consolidado diário da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que os fundos renda fixa índice de preços apresentaram ganhos médios de 3,28% nos últimos 30 dias e rentabilidade acumulada de 11,88% em 2014.

"Nesse momento, com as taxas reais entre 5% e 5,5% ao ano, eu não colocaria mais recursos nesses produtos. É muito difícil a taxa real ficar abaixo de 5% ao ano", diz o administrador de investimentos, Fábio Colombo, sobre o ciclo de prêmios (ganhos) em fundos Ima-B e em NTN-Bs.

Entre as estratégias, Colombo argumenta que o investidor deve sempre diversificar suas aplicações de renda fixa. "No atual cenário e diante das incertezas eleitorais, 80% em juros pós-fixados e 20% em indexados à inflação", afirmou.

Colombo lembrou que no início do ano (janeiro), as NTN-Bs que compõem a maioria dos ativos em carteiras Ima-B chegaram a oferecer aos investidores juros reais de 7% ao ano mais a inflação oficial.

Perfil mais agressivo

A gestora de renda fixa da Mongeral Aegon Investimentos, Patrícia Pereira, considerou que os fundos índices de preços são mais voltados para investidores de perfil mais agressivo, capazes de suportar a volatilidade nas taxas. "Quem é conservador mesmo deve ficar em fundos DI e de curto prazo", disse Patrícia.

Ela justificou que o movimento recente de saída líquida das carteiras Ima-B - R$ 3,5 bilhões nos últimos 30 dias - pode estar relacionado a realização de lucros. "Há muita incerteza para o próximo ano, a questão eleitoral pesa bastante, e a perspectiva de alta dos juros pelo Fed [banco central americano] torna o cenário mais difícil ainda", argumenta.

Ela contou que a Mongeral Aegon Investimentos não sofreu com a saída de recursos pois seus clientes são investidores institucionais de longo prazo. "Fundo de pensão fica. A taxa [atual] atende sua meta [atuarial]", assegurou Patrícia. Em geral, fundos de pensão buscam a meta atuarial de 5,5% ao ano mais a inflação para garantir reservas e pagar os benefícios dos participantes.

Leilão do Tesouro

Ontem, o mercado de títulos públicos voltou a ficar "estressado" após a agência de classificação de risco Moody‘s ter alterado a perspectiva de nota de crédito do Brasil de estável para negativa. A taxa real em NTN-Bs para 2050 que estava em 5,55% ao ano na segunda-feira (8) fechou o leilão de ontem em 5,6% ao ano, mas com investidores pedindo taxas a 5,7% ao ano. Enquanto a taxa real da NTN-B para 2020 esteve em 5,45% no dia 8.

Autor: Ernani Fagundes
Fonte: DCI