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Fundo de Garantia direciona aportes para empresas de capital fechado

09/09/2014

Braço de participação do FGTS fechou o primeiro semestre com patrimônio de R$ 30 bilhões, recurso aplicado principalmente em companhias locais do setor de infraestrutura

O Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS), gerido pela Caixa Econômica Federal, prioriza a compra de ações de empresas de capital fechado, e já possui mais de R$ 30 bilhões em patrimônio.
Criado em 2008, o objetivo do fundo é direcionar recursos do FGTS para outros segmentos de infraestrutura - quando o Fundo de Garantia foi criado, em 1967, os investimentos feitos com os recursos recolhidos dos trabalhadores eram concentrados apenas em Habitação Popular e Saneamento Básico.

O balanço do segundo trimestre de 2014 do FI-FGTS aponta que 16 das 17 empresas em que o fundo investe em participação não estão listados na bolsa. Juntas, essas companhias somam R$ 7,5 bilhões dos R$ 8 bilhões aplicados em ações.

Concentrado

Segundo o relatório, somente a Odebrecht Ambiental e a Odebrecht TransPort, ambas da Organizações Odebrecht, receberam aporte R$ 3,5 bilhões do fundo - o que representa 11,29% da carteira total de investimentos. A única empresa de capital aberto, a Alupar Investimentos, recebeu R$ 473,7 milhões do FI-FGTS.

A Caixa também investe em debêntures - títulos de dívidas de empresas -, porém, neste tipo de aplicação, a carteira está mais diversificada. Quem recebeu o maior aporte foi Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com investimento de R$ 4,8 bilhões (15,7% do total da carteira da entidade).

Para o diretor da Escola de Investidores Leandro Stormer, Leandro Ruschel, os trabalhadores deveriam ter mais participação no fundo e ajudar a decidir o destino do dinheiro recolhido mensalmente de seus salários - o FGTS incide em 8% da remuneração do empregado.

"Esse fundo acaba sendo uma forma de investimento barata para o governo, enquanto o rendimento a que o trabalhador tem direito fica muito abaixo da inflação", afirmou. "Seria melhor se o trabalhador ajudasse a decidir, em vez do dinheiro ficar em um fundo caixa-preta do governo", completou. O rendimento anual do FGTS para o trabalhador é, em média, de 3% ao ano.

Ruschel também criticou a falta de transparência do fundo. As aplicações do FI-FGTS são decididas pela Caixa juntamente a um comitê formado por 12 membros.

Diversificação

O professor Rodolfo Leandro de Olivo, da Fundação Instituto de Administração (FIA), disse que as empresas de capital fechado têm menos obrigações que as de capital aberto - não precisam prestar contas publicamente, por exemplo -, mas ressaltou que com aplicações nas companhias não listadas na BM&FBovespa o leque de opções do governo fica muito maior.

"Existem poucas empresas de capital aberto voltadas para o setor de infraestrutura. É preciso pensar na projeção do fundo: o risco é maior se os recursos ficarem mais concentrados", avaliou.

Patrimônio

O patrimônio líquido do FI-FGTS fechou o segundo trimestre de 2014 em R$ 30,9 bilhões, valor 7,54% maior que o mesmo período do ano passado, quando o fundo tinha R$ 28,7 bilhões em ativos.

Em 2013, o fundo possuía 19,3 bilhões de cotas, número que passou para 20,1 bilhões neste ano. O valor unitário de cada cota também aumentou, passando de R$ 1,48 para R$ 1,53 no período.

Autor: Pedro Garcia
Fonte: DCI