Bolsa

Rentabilidade puxa volume em fundo de índice

09/09/2014

Apenas o ETF Matb, que acompanha o índice setorial de Materiais Básicos, ainda apresenta queda em seu valor de mercado nos últimos doze meses fechados até agosto; os demais estão positivos

A rentabilidade acima de 10% apresentada em 11 dos 16 fundos de índices de ações listados em Bolsa de Valores (ETFs) puxou o crescimento de 18,8% do volume mensal negociado nessa categoria para R$ 1,8 bilhão em 2014, ante a média de R$ 1,51 em 2013.

Ao mesmo tempo, as aplicações dos investidores em ETFs seguem concentradas no papel Bova, que acompanha o Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa).

O Bova responde por 92% do volume e girou uma média mensal de R$ 1,66 bilhão nos oito primeiros meses de 2014, ante a média obtida de R$ 1,392 bilhão em 2013, um crescimento de 19,25%.

"O Bova é muito conhecido por causa do Ibovespa e por isso é o único com liquidez expressiva no Brasil. O desconhecimento dos demais índices da Bolsa explica o menor número de negócios nos outros produtos listados", argumentou o analista da corretora Rico, Roberto Indech.

Quanto à rentabilidade passada, o segmento de ETFs passou por forte valorização no último mês de agosto e já acumula ganhos em 12 meses, conforme relatório divulgado pela BM&FBovespa. "Boa parte dessa valorização vem das expectativas em torno das eleições presidenciais e de uma possível mudança de governo ou da troca da equipe de governo", considera o diretor da Easynvest Título Corretora, Amerson Magalhães.

Segundo o relatório da Bolsa, o ETF Find, que acompanha o índice Financeiro liderou os ganhos no mês passado com 13,1%, e foi seguido pela performance do Mobi, que espelha o índice Imobiliário e exibiu retorno de 11,5%, enquanto os dois principais ETFs negociados - o Bova, e o Pibb (Ibrx-50) - avançaram 9,9%.

Influência macroeconômica

Segundo Indech, os principais fatores de influência na rentabilidade dos ETFs são: as pesquisas eleitorais; a crise militar entre a Ucrânia e a Rússia; e os indicadores econômicos dos Estados Unidos, sobretudo a expectativa de alta da taxa de juros americana. "A saída da OGX da carteira do Ibovespa também pode ajudado a redução das apostas na queda do índice, refletido na queda do aluguel de ETFs", diz Indech.

Quanto ao risco dos ETFs, Magalhães orientou que o investidor pessoa física só deve considerar a aplicação em Bova e demais índices com o horizonte de médio e longo prazo. "Há um momento de indefinição sobre o cenário eleitoral, o que produz uma volatilidade maior. Se não acontecer uma mudança de governo [ou de equipe] pode haver uma correção nos preços no curto prazo", considerou o diretor da Easynvest Título.

Autor: Ernani Fagundes
Fonte: DCI