Bolsa

Seguradoras mantêm carteira conservadora

04/09/2014

Empresas do setor escolhem aplicações de curto prazo, fundos de renda fixa e referenciados DI

Na contramão do restante do mercado, a carteira de investimentos das seguradoras brasileiras ainda mantém um perfil conservador, dedicando 69,6% das aplicações financeiras a fundos de renda fixa. Relatório de distribuição do patrimônio líquido da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), divulgado no final de agosto, aponta que R$ 42,4 bilhões dos recursos das seguradoras estão alocados neste tipo de fundo.

Segundo o balanço, as empresas de seguros ainda possuem R$ 4,6 bilhões (7,6%) aplicados em investimentos de curto prazo e R$ 2,9 bilhões em fundos referenciado DI (4,9%) - que são aplicações ainda mais conservadoras que os fundos de renda fixa. Outros R$ 6,3 bilhões (10,4%) estão investidos em fundos de previdência. Apenas R$ 4,5 bilhões dos recursos estão alocados em aplicações mais agressivas, como ações (1%) e fundos multimercado (6,3%).

O mercado como um todo, por sua vez, apresenta uma carteira bem mais diversificada. De acordo com o relatório da Anbima, o mercado possui R$ 2,6 trilhões investidos, dos quais 28,6% estão aplicados em fundos de renda fixa, 19,1% em fundos multimercado, 14% em fundos de previdência, 12,8% em fundos DI e o restante em outras aplicações, como fundos de participação, ações e fundos de investimento em direito creditório (FIDC).
Até mesmo empresas de ramos com mais assiduidade de ocorrências que o do setor de seguros possuem carteiras de investimento mais diversificadas, com maiores riscos. É o caso das entidades fechadas de previdência complementar (EFPC) públicas e privadas - mais conhecidas como fundos de pensões.

O balanço mostra que as entidades de previdência públicas têm R$ 213,2 bilhões investidos, dos quais 40,2% estão em renda fixa, enquanto outros 36,9% estão aplicados em ações e 19% em fundos multimercado. Já as EFPCs privadas possuem um patrimônio líquido aplicado de R$ 239,9 bilhões, distribuídos em investimentos variados, como renda fixa (43,8%), multimercado (43,8%) e ações (10%).

Segurança

Segundo o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Edmilson Lins Machado, as seguradoras sempre foram muito conservadoras como forma de atender os usuários dos seguros. "Embora a renda fixa, em muitos momentos, não seja a melhor aplicação, em termos de rentabilidade, ela é uma aplicação segura. A seguradora sabe quanto vai ter dentro de determinado período e quanto pode utilizar", explicou.

Para o economista do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Marcos Antônio Camargo, as empresas de seguros optam pela renda como forma de minimizar os riscos do sistema financeiro, uma vez que precisam ter recursos disponíveis para o pagamento de sinistros. "Pode acontecer uma tragédia, igual o tsunami no Japão em 2012, em que houve um alto índice de sinistralidade. Se, em casos como esse, o dinheiro estiver aplicado em renda variável, a situação fica complicada", observou.

Machado avaliou ainda que, para investir em ações ou fundos mais agressivos, as seguradoras precisariam de uma equipe técnica especializada para cuidas das aplicações, o que demandaria mais gastos. "A partir do momento em que eu começo a diversificar as aplicações, eu preciso ter uma condição de começar a controlar isso", analisou.

Ela salientou, no entanto, que a diversificação da carteira pode ser uma possibilidade para as seguradoras no futuro.

Pelas regras da Superintendência de Seguros Privados (Susep), o investimento das reservas técnicas das seguradoras deve respeitar o teto de 80% em títulos privados, 50% em ações e 30% em imóveis. As aplicações em títulos públicos não têm limites.

Autor: Pedro Garcia

Fonte: DCI