Bolsa

Clientes de derivativos retiram R$ 14 bilhões em margens da Bolsa

01/09/2014

Desde o último dia 18 de agosto, quando a BM&FBovespa migrou sua antiga central de derivativos para a nova clearing (central única de negociação), os clientes (principalmente bancos) retiraram R$ 14 bilhões em margens depositadas como garantias na Bolsa de Valores até a última quarta-feira (27).

"Teoricamente, se o cliente tem um custo menor, ele tinha aqui [na Bolsa] uma garantia, e agora estamos devolvendo uma parte dessas garantias, talvez ele faça um pouco mais de hedge [proteção] pois não muda o custo dele. Mas ainda não conseguimos aferir isso [para onde irão esses recursos retirados] e está muito cedo para se fazer essa avaliação sobre os volumes", respondeu o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto.

Segundo Edemir, a negociação de derivativos na nova clearing vai injetar R$ 20 bilhões no sistema financeiro. Ele argumentou que o processo de integração das 4 atuais clearings em uma vai gerar maior eficiência de capital aos clientes, melhoria de gestão da liquidez. "Nós temos 4 clearings, 4 janelas, e um volume de margens [garantias] requeridas extraordinária. O mercado quer negociar mais, mas o custo do carregamento da operação é muito alto por causa das margens. Agora temos uma quinta clearing, ficou pronta e estamos fazendo a migração", disse o presidente.

Na prática, a nova clearing faz um cálculo integrado do risco do portfólio - derivativos listados e de balcão, assim como das garantias depositadas. "Essa clearing nova tem perto de 400 servidores só para ela. Quando migramos os derivativos, a clearing começou a olhar o portfólio de todos os derivativos ali dentro, antes [na central antiga], se requeria perto de R$ 100 bilhões em margens, mas agora, só precisamos de R$ 80 bilhões para dar a segurança que precisávamos, a mesma segurança exigida no passado, não só convencemos o mercado como convencendo o regulador, o Banco Central, pois é o BC quem aprova. É um novo sistema de risco."

Edemir diz que a partir de agora, a Bolsa vai trabalhar para migrar a central de ações para dentro da nova clearing. "Depois será a de câmbio, e por último, a de papéis públicos, e será tudo uma única clearing. A antiga de derivativos, já saiu uma carta do Banco Central que foi cancelada", contextualizou.

Conforme já informado anteriormente, a clearing única ainda deve proporcionar uma economia diária de R$ 500 milhões aos investidores e participantes do mercado (bancos, fundos e seguradoras) quando a migração estiver completamente concluída até o final de 2015. "Começamos a migração de ações, que na minha opinião trará uma economia superior a essa de derivativos, vai ter um enxugamento espetacular", diz.

Autor: Ernani Fagundes

Fonte: DCI