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Serviços representam 66% do aporte estrangeiro no Brasil

01/09/2014

Participação do setor nos investimentos externos é de 53% no mundo todo. Enquanto isso, indústria do País teve queda de 32% para 25% até julho

Dados do Banco Central (BC) mostram que a participação dos serviços nos investimentos estrangeiros diretos (IED) passou de 50% para 66%, no período de janeiro a julho de 2013 para 2014. O montante dos aportes no setor, também se elevou em 62%.

Ao contrário dos serviços, a indústria e o agronegócio vêm atraindo menos investimentos. A participação da indústria no IED passou de 32% para 25%, e teve queda de 5% no montante dos investimentos. Já o recuo no agronegócio foi mais expressivo, e a participação do setor passou 16% para 8,5%, com queda de 35% na soma dos aportes.

Em serviços, as telecomunicações se destacam. De janeiro a julho de 2013, essas representavam 1% do total dos investimentos, e passou a representar 15,3% no mesmo período de 2014. Já a soma dos aportes foi de US$ 268 milhões para US$ 4,871 bilhões.

Os serviços financeiros também elevaram a sua participação nos aportes estrangeiros, passando de 4,2% para 10,3%.

No setor de agronegócios e extrativa mineral, a extração de petróleo e gás passou de participação de 11% para 3,3% do total dos aportes. Já a metalurgia, reduziu sua participação de 4,6% para 1,6% no período de janeiro a julho de 2013 para 2014.

O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luiz Afonso Lima, afirma que há uma tendência de elevação dos investimentos estrangeiros em serviços no mundo todo. Ele diz que, atualmente, o setor contempla 53% do IED no mundo, abaixo do que representa o Brasil, com 66%. Ao passo que a indústria representa 38% e a agricultura 9%.

Lima explica que essa tendência está relacionada com a maior complementariedade entre a indústria e os serviços. "O iPhone, por exemplo, é composto de 93% de serviços e somente 7% da indústria. Esses dois setores vêm se mesclando de várias formas. É uma tendência", afirma Lima.

Para ele, os serviços, além de se elevarem, irão ajudar os setores primário e secundário do Brasil a exportar mais nos próximos anos. "Um dos problemas é que os investimentos que chegam ao setor de serviços no Brasil não contribuem para a nossa exportação. Eles se destinam ao mercado interno como, por exemplo, às telecomunicações e ao comércio varejista. Isso tem a ver com o nosso próprio modelo de crescimento", diz Lima.

"No entanto esse motor de crescimento da economia brasileira está chegando ao fim. As vendas de automóveis e do comércio, em geral, estão diminuindo no mercado interno. Isso significa que, aos poucos, os empresários começarão a olhar para o mercado externo. E setor de serviços irá ajudar nossa indústria a exportar", complementa.

Já o professor do curso de Administração da Universidade Anhembi Morumbi, Osmar Visibelli, avalia que a tendência de queda da indústria na participação dos investimentos estrangeiros é o que eleva a participação dos serviços. Para ele, a insegurança institucional e o represamento dos preços administrados contribuem para a fuga de investimentos na indústria.

Na análise de Visibelli, a menor participação do agronegócio nos aportes estrangeiros é pontual e se deve ao cenário de incertezas em um ano de eleições. "A competitividade da agroindústria do País é muito significativa", diz ele. "Devido às incertezas colocadas pelo processo eleitoral, os empresários acabam tendo uma postura mais prudente quanto aos investimentos", completa.

Para Lima, um dos setores que tendem a atrair mais investimentos de empresas estrangeiras ao Brasil é o de seguros e resseguros. "O Brasil é um dos poucos países do mundo em que essas áreas são pouco exploradas. O mercado de resseguros, por exemplo, foi aberto há cinco anos, então possibilita oportunidades", diz Lima.

Autor: Paula Salati

Fonte: DCI