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Lucro de empresas brasileiras no exterior foi menor em 2013

29/08/2014

Margem foi de 10,3% para 9% entre 2012 e o ano passado. No entanto, companhias estão otimistas com vendas no mercado internacional

Apesar da margem de lucro das empresas brasileiras no exterior terem sofrido retração, as companhias estão positivas com o desempenho fora do País.

De acordo com o Ranking das Multinacionais Brasileiras de 2014, elaborado pela Fundação Dom Cabral (FDC), as margens de lucro no exterior sempre foram inferiores às margens obtidas pela atividade das empresas no mercado interno. No entanto, a Fundação ressalta que essa diferença aumentou para 4,4% em 2013. Enquanto a margem interna foi de 13,4%, a externa foi de 9% no ano passado. Já em 2012, essa diferença estava menor, com margem de lucro externa inferior em 3,1% à interna. Sendo o percentual de lucro interno de 13,4% e externo de 10,3%.

Mesmo com queda em margem de lucro, o levantamento mostrou que as empresas ficaram satisfeitas com o seu desempenho no mercado internacional, pois esperavam que a crise internacional prejudicaria muito mais suas atividades.

"A expectativa para 2014 é positiva. Em função do maior otimismo que as empresas mostraram, é possível que a diferença entre a margem de lucro interna e externa diminua um pouco", diz a pesquisadora da FDC, Lívia Barakat.

Um dos destaques do levantamento foi, justamente, as expectativas das companhias com relação às vendas. Foi a primeira vez em que as prospecções de desempenho no mercado internacional estão maiores do que as do mercado doméstico, em uma proporção de 3,8% contra 3,3%.

O professor do Núcleo de Estratégia e Negócios Internacionais da FDC, Sherban Leonardo Cretoiu, afirma que a mudança na perspectiva das empresas brasileiras está relacionada com a perda de força do mercado interno. Além disso, afirma que, quanto mais as empresas se inserem em diferentes regiões do mundo, menos elas correm riscos com relação à sua lucratividade, em períodos de crise financeiras.

No entanto, ressalta que, o que motiva as empresas a se internacionalizarem são fatores para além do lucro, como ganho de maior competitividade, por meio de obtenção de novas tecnologias e de aprendizados em gestão.

"A internacionalização é uma vantagem competitiva para as empresas no próprio mercado brasileiro. Empresas de médio porte relatam, por exemplo, que ganharam maior capacidade de atrair e reter talentos, ao expandirem suas operações no exterior".

A pesquisa da Fundação mostra que cerca de 65% das 66 empresas analisadas pretendem expandir suas operações no mercado internacional, ao passo que 28,6% projetam estabilidade.

De todas as companhias, apenas 44,4% tem planos para entrar em novos países em 2014.

O Ranking da FDC mostrou que a internacionalização de multinacionais brasileiras cresceu 1,6% de 2013 para 2014. A Construtora Norberto Odebrecht ficou em primeiro lugar, seguida da Gerdau e InterCement .

Médias Empresas

No ranking das empresas de médio porte, com faturamento de até US$ 1 bilhões, a Metalfrio liderou o levantamento de 2013. Logo após vem a Artecola, IBOPE, Sabó e a DMSLogistics.

De acordo com a FDC, o que elevou a internacionalização da Metalfrio, por exemplo, foi o aumento de sua fatia de mercado aos seus clientes e expansão de negócios nos mercados do Oriente Médio e Europa Oriental.

Já a Artecola, empresa do ramo de adesivos e laminados especiais, expandiu suas operações no exterior com a entrada no mercado asiático, por meio de um novo produto e associação com um sócio local. Segundo a FDC, a tendência é que a empresa aumente o seu índice de internacionalização nos próximos anos já assumiu o controle da Pegatex S.A., uma grande fabricante de adesivos na Colômbia.

Cretoiu comenta que a diferença de riscos de internacionalização entre empresas de médio e grande porte, é a reserva de capital para lidar com momentos de crise. "As médias têm menos recursos, por exemplo, para acionar uma consultoria de análises de riscos políticos e econômicos"

Autor: Paula Salati
Fonte: DCI